A política econômica mantida pelo governo federal penaliza a produção industrial. Não pode ser encarada como medidas de incentivo que visam o desenvolvimento do País e estimulam a iniciativa privada. Pelo contrário.
  O cenário não é nada animador ao considerarmos a alta carga tributária, que incide em todas as etapas da fabricação de um produto até chegar ao consumo, encargos trabalhistas excessivos, infraestrutura deficitária, entre tantos outros problemas. A questão da política econômica, aliás, não se resume à cotação do dólar.
  No final desta semana, o Banco Central interveio no mercado de câmbio e anunciou um leilão de compra de dólares a termo. Foi a primeira atuação do ano e tinha por objetivo frear a queda da cotação que, em janeiro, teve desvalorização de 7,6%. O valor do dólar no mercado interno, aliás, apresenta fatores positivos e negativos para a economia em geral.
  Um dólar apreciado fortalece as indústrias exportadoras e produtores rurais, que conseguem vender mais facilmente seus produtos no mercado externo, além de obter ganhos na lucratividade. No entanto, a cotação baixa estimula a modernização do parque fabril nacional e favorece, principalmente, consumidores, uma vez que baixa o preço dos produtos importados e favorece as viagens internacionais.
  Como bem afirmou o economista do Departamento Econômico da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, Roberto Zurcher, em matéria publicada na edição de ontem desta FOLHA, a causa principal do problema no Brasil é a má administração pública, aliás histórica.
  É preciso investir em uma política mais austera de redução dos gastos públicos para que sejam feitos investimentos na infraestrutura brasileira, como em rodovias, portos e aeroportos que estão bem perto do apagão. O setor privado poupa hoje 18% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto no público este índice está pouco acima de 1%. É uma diferença muito grande e parece até ilógica. É dever do Estado incentivar a produção interna.

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