Política e tráfico de influência
O escândalo envolvendo o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e o empresário Carlinhos Cachoeira, que atuava na exploração de jogos ilícitos, coloca em evidência o tráfico de influência exercido por empresários sobre a classe política. De acordo com escutas da Polícia Federal, na teia de relações de Cachoeira estão diversos políticos. A rede pode ser ainda maior com a ampliação das investigações pela Polícia Federal e a partir da CPI do Cachoeira que pretende apurar o material levantado pela PF nas operações Vegas e Monte Carlo. Demóstenes vai enfrentar ainda um processo por quebra do decoro parlamentar na Comissão de Ética do Senado.
A investigação da PF aponta que Demóstenes atuava no Congresso em favor de Cachoeira, preso em fevereiro por explorar máquinas caça-níqueis em Goiás. Suspeita-se que o bicheiro pretendia controlar cassinos montados em barcos e, para isso, agia para que o Congresso aprovasse a legalização de jogos de azar no País. Segundo a Polícia, o governador Marconi Perillo (PSDB) e deputados estaduais teriam ligação com o bicheiro, que é acusado de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e corrupção, entre outros crimes. Dessa forma, é possível dizer que Cachoeira contava com uma ampla rede de proteção possivelmente com influência nos Três Poderes.
Apesar de o senador não ter sido condenado pela Justiça e de ter direito à ampla defesa, o fato é representativo da estreita ligação entre políticos e empresários. Lembra as relações de compadrio nas quais a intimidade e o favoritismo imperam em favor de negócios escusos, porém em prejuízo de toda a sociedade. Dessa relação promíscua nascem as licitações de cartas marcadas, os contratos emergenciais fraudulentos, os desvios de verbas públicas.
A corrupção definitivamente é um mal que assola a política brasileira. Até então um senador acima de qualquer suspeita, que atuou no Ministério Público de Goiás, foi secretário de Justiça, baseou sua carreira em princípios éticos e, inclusive, foi relator da Lei da Ficha Limpa se mostrou corruptível. Fatos como esse contribuem para aumentar o descrédito de grande parte do eleitorado com a política. Corroba a tese - extremamente negativa - de que os interesses pessoais sempre estão acima dos da sociedade. Os fatos relatados quase que diariamente na imprensa não são novos, mas tampouco deixam os noticiários. É preciso investir em campanhas de conscientização sobre a importância do voto e de escolher bem os candidatos.





