O processo de cassação dos dois ex-prefeitos de Londrina, Antônio Belinati (PP) e Homero Barbosa Neto (PDT), às vésperas das eleições, não foi mera coincidência. A proximidade do pleito municipal foi fator extremamente importante e fundamental. Nos dois casos as administrações já eram alvo de denúncias e investigações, mas distante do processo eleitoral não houve prosseguimento. Não fossem algumas prisões de correlegionários, pressão da opinião pública e a necessidade de reeleição dos vereadores, os dois processos teriam sido arquivados, como também já havia ocorrido ao longo dos dois mandatos.
  Os fatos ilustram, como bem avaliaram especialistas ouvidos pela FOLHA, a tese da política com foco no poder, independentemente do bem comum e da proximidade ideológica. Denominada ‘‘lógica do adesismo’’, a teoria seria a união de partidos em torno de um nome com apelo popular e capacidade eleitoral sem levar em consideração posições ideológicas e propostas de governo. O modelo parece estar arraigado na forma de fazer política no Brasil. Não raro os cidadãos são surpreendidos por alianças firmadas entre inimigos históricos.
  Portanto, o que deve ser discutido, é a desconstrução dessa velha forma de se fazer política. Luta partidária, posições bem definidas, histórico do partido e dos candidatos são temas que simplesmente não podem ser esquecidos em períodos eleitorais em troca de quatro anos de poder até porque a própria história mostra que esse modelo não mais tem se sustentado. Políticas construídas dessa forma frequentemente tem se desestruturado e os exemplos são vários em todos os níveis.
  Cabe também à opinião pública e aos eleitores a fiscalização, a cobrança e o envolvimento nessa causa. Não adianta apenas a lamentação após a divulgação dos escandâlos. De quê adianta a indignação por alianças não ideológicas ou pela vergonhosa corrupção se o aval para tudo isso foi concedido nas urnas? Neste caso, é importante salientar que a culpa é também do eleitor porque escolhe mal os seus candidatos e não fiscaliza as suas ações. Como cobrar de seus representantes se a maioria sequer se lembra em quem votou nas últimas eleições?
  O momento exige reflexão. No caso específico de Londrina, não adianta apenas o apoio às ações do Ministério Público e à Câmara de Vereadores por ter abreviado o mandato de dois prefeitos. É preciso envolvimento, fiscalização, cobrança e muita consciência no momento do voto.

mockup