Política e mercado: entre curvas e riscos
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de abril de 2019
. 
No fim da tarde de sexta-feira (12), as ações da Petrobras registraram queda vertiginosa, chegando a perdas de 8%. A baixa aconteceu após o presidente Jair Bolsonaro impedir o aumento do diesel previsto para a data. Segundo alguns analistas, o recuo se deu por receio de que o aumento determinasse uma nova greve dos caminhoneiros. A queda das ações é a maior desde 1º de junho de 2018, quando Pedro Parente renunciou ao cargo de presidente da Petrobras.
O fato é que o fantasma que assombrou os governo Dilma Rousseff e Michel Temer ainda ronda o Planalto e ninguém quer amargar a condição caótica de ter postos de combustíveis vazios e filas de caminhões nas estradas, que colocam o País numa situação insustentável. Então aceita-se outro risco.
Os papeis preferenciais da Petrobras – que são os mais negociados - recuaram a R$ 25,83 e as ordinárias – com direito a voto – fecharam em R$ 29,13. Na gangorra dos investimentos, a queda das ações da estatal contaminou a Bolsa brasileira. A Ibovespa, considerada o principal índice acionário do País, recuou 1,98%, chegando a 92.875 pontos.
Em resumo, a Bolsa balançou e as decisões tiveram um efeito negativo sobre as relações econômicas, causando um distúrbio à medida em que a percepção geral é de que a intervenção do presidente é uma repetição de uma fórmula que já não deu certo em outros governos: o congelamento de preços já colocou a Petrobras em crise financeira no governo PT. Ao mesmo tempo, a política de ajustes diários de Michel Temer, levando em conta vários fatores, também não o poupou de uma paralisação de caminhoneiros em 2018.
Na atual situação, se o preço do combustível permanecer congelado, a Petrobras perde R$ 14 milhões diariamente. Nesta sexta, já se falava em perda de R$ 32 bilhões em valor de mercado após a interferência do governo.
Em outros momentos, na contramão das negociações sobre as políticas de preços, autoridades jurídicas chegaram a afirmar que greves como a do transporte deveriam ser repreendidas com toda a ênfase por ser considerado “ilegal” impedir a circulação das pessoas. Há cerca de um ano, em 25 de maio de 2018, depois do quinto dia de greve, Raquel Dodge, procuradora-geral da República pontuava que o País não vivia apenas uma crise de transporte, mas de abastecimento e segurança pública.
Num Brasil já minado em matéria de segurança, a repetição do pesadelo fez o presidente Bolsonaro recuar, mas as sequelas mesmo assim aparecem através do balanço do mercado que ressoa numa crise de confiança no momento crucial da aprovação da Reforma da Previdência.
Tudo isso mostra que na sucessão de governos o que determina a aceitação política é a vitalidade da economia e vice-versa. A relação dessas duas forças é o que sustenta ou fragiliza governos, independentemente de siglas, discursos ou caminhos que podem parecer determinados, mas sempre surpreendem com mais curvas e riscos.


