O comportamento do eleitor brasileiro é resultado de um sistema político com inúmeras falhas. Voto obrigatório, número excessivo de vereadores, deputados e senadores, milhares de denúncias de corrupção envolvendo dententores de cargos públicos e impunidade são alguns dos ingredientes que podem justificar a falta de memória, apontada em matéria desta FOLHA.

Pesquisa realizada com 1,5 mil eleitores de cinco municípios da região metropolitana de Londrina aponta que a maioria das pessoas não se lembra em quem votou nas eleições de 2006, ano em que foram escolhidos presidente, senadores, deputados federais e estaduais e governador. O resultado não chega a ser surpreendente, mas é desalentador. No pior dos casos, 74% dos entrevistados disseram não se lembrar em quem votaram para deputado federal e 72% esqueceram o nome do candidato ao Senado escolhido e por aí vai. O melhor resultado foi obtido pelo cargo majoritário: 63% dos entrevistados se recordavam do voto.

Outro item que chama a atenção e que indica a falta de interesse pela política é que também a maioria desconhece as atribuições de senadores e deputados. Em um cenário tão nebuloso, também não causa estranheza o fato de que candidatos ''ficha suja'' continuem a ganhar eleições. Se a impunidade impera, aos olhos do eleitor talvez não faça diferença quem seja eleito ou não. Afinal, também faz parte do senso comum - embora não seja uma regra - que a maioria dos interessados em concorrer a um cargo público cultiva apenas interesses próprios.

Neste cenário tão desalentador, se configura urgente uma reforma política, assunto, aliás, que há muito está na pauta do Congresso. No entanto, assim como outros itens também importantes, as discussões nunca avançam em uma pauta cada vez mais abarrotada de projetos, emendas e medidas provisórias a serem votados.

Caberia também, junto à sociedade, investimentos em campanhas de conscientização dos eleitores. Somente a educação ajudará neste processo, muito importante, de escolha dos candidatos com as melhores propostas e com condições de representar a comunidade. No entanto, aí cabe uma outra questão: será interessante aos atuais detentores de cargos públicos que os eleitores estejam mais conscientes e tenham condições de escolher, de fato, o melhor candidato?

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