Política de prevenção
Não faz parte da cultura brasileira investir em ações preventivas. Essa falta de planejamento, de desenvolvimento de programas sustentáveis acaba por levar à adoção de iniciativas emergenciais. E esse comportamento não fica restrito a apenas uma ou outra área, ocorre em praticamente todos os segmentos e esferas da administração pública.
Reportagem de hoje desta FOLHA aborda a ocorrência dos desastres naturais. Principalmente nesta época do ano, com a concentração de grande volume de chuva, é bastante comum o registro de alguma tragédia, seja enchente, deslizamento de morros e encostas, entre outras ocorrências. De acordo com o Centro Regional Sul de Pesquisas Espaciais, órgão vinculado ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, a maioria dos desastres naturais que acontecem no Brasil não podem ser evitados. No entanto, certamente podem ser minimizados.
Pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística aponta que apenas 6,2% dos municípios têm um plano de redução de riscos. No Paraná, dos 399 municípios somente 14 contam com esse projeto. Além de desenvolver ações e programas que ajudem a reduzir os impactos desse tipo de acidente, o plano facilita o recebimento de recursos, sobretudo, federais. Por isso, a importância da iniciativa.
Outro importante trabalho a ser desenvolvido é junto à comunidade afetada. Uma das primeiras ações é a conscientização ambiental. Embora o tema esteja em voga, muitas pessoas ainda não se atentaram para a sua importância. Além disso, é fundamental que as áreas de risco sejam desocupadas. Como mostra a matéria, muitas famílias que vivem às margens do Rio Tibagi, em Jataizinho (Norte), não deixam o local porque simplesmente não têm para onde ir. E essa situação se repete Brasil afora.
Programas habitacionais poderiam alojar essa população, mas é importante o monitoramento constante para que esses locais não voltem a ser ocupados. O governo federal lançou, neste ano, plano de gestão de riscos e prevenção a desastres naturais. A iniciativa é positiva porque inclui ações preventivas e a destinação de recursos para isso. No entanto, como tantos outros projetos lançados no Brasil, é importante que esse saia do papel.
Os desastres continuarão acontecendo, mas o impacto deles certamente será
menor.





