Política de Lula agrada, mas a de Requião preocupa
Apesar das dificuldades apontadas pelos empresários da construção civil, o setor está otimista com o novo governo federal. Para o presidente do Sinduscon, Ramon Doria, as propostas feitas pelo presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), indicam a retomada da política habitacional. Mas ao mesmo tempo ele diz que teme as declarações sobre habitação feitas pelo governador eleito, Roberto Requião (PMDB).
''Desde a campanha, Lula tem dito que a construção seria uma das saídas para a geração de empregos e a retomada aos poucos da nossa economia''. Ele disse que a indústria da construção civil espera a criação de um órgão federal em que os assuntos habitacionais sejam debatidos. ''Pode ser que saia o tão sonhado Ministério da Habitação, ou algo semelhante ao antigo Sistema Financeiro da Habitação, quando pelo menos havia um lugar para discutir''.
O presidente da Fetraconspar, Geraldo Ramthun, também considera boas as propostas de Lula para a construção civil. ''As demissões no setor já se estabilizaram e há a essa perspectiva do novo governo voltar a construir casas'', afirma. O diretor do Sinduscon Erlon Ribeiro afirma que a retomada do crescimento brasileiro depende de investimentos na agricultura e na construção civil. ''A grande massa de empregos está nesses setores, que utilizam mão-de-obra intensiva e que não comprometem a balança comercial porque não necessitam de volumes importados''.
Já a política habitacional proposta por Requião é criticada pelo presidente do Sinduscon. Durante a campanha, o governador eleito disse que promoveria mutirões para construção de casas populares. Segundo Doria, esse tipo de ação gera apenas empregos informais e por isso não é vantajoso para a economia como um todo. ''Nós, da iniciativa privada, não podemos admitir o mutirão porque gera subemprego. Há maneiras mais inteligentes de construir casas''.





