O vice-presidente José Alencar nunca deixou de criticar os juros abusivos praticados no Brasil, e voltou ao ataque agora que responde interinamente pela presidência da República, na ausência do titular, que foi aos Jogos Olímpicos. Política de juro alto é ''o caminho da morte'', afirmou ele de pronto e pleno de razão, discordando da posição do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, este argumentando que a manutenção do juro elevado é necessária ''para conter a inflação''. A declaração de Alencar ocorreu no gabinete presidencial, quando entrevistado por jornalistas.
A política defendida por Meirelles mais se assemelha a um socorro aos bancos, porque o astronômico lucro que auferem sofreu uma pequena queda neste primeiro semestre do ano. Isto se deveu ao aumento do custo da captação, à mudança nas regras para as tarifas e ao cenário externo menos generoso para a lucratividade dos bancos. Fica a impressão de que foi necessário, então, dar-lhes amparo. Nos últimos anos o rendimento do sistema bancário tem sido um mar de tranquilidade - e no geral isto sempre foi assim - mas nestes seis meses de 2008 houve estabilização de lucro em alguns dos grandes bancos privados e pequena baixa em outros. Analistas afirmam que a rentabilidade não voltará aos níveis anteriores, mas ocorre que ela sempre foi altíssima. Por isso, essa diminuta queda está longe de ser um problema financeiro para os bancos.
Os resultados para a rede bancária sempre foram excelentes, e não será agora que haverá dificuldades. A alta lucratividade continuará, e mesmo em eventual circunstância adversa os bancos não passariam por asfixia, pois têm grande reserva de oxigênio. O vice-presidente, como megaempresário experimentado, sabe o que os juros altos representam em entrave para o desenvolvimento dos negócios. O ''caminho para a morte'' é uma alegoria pertinente, e se o Brasil experimenta um período de crescimento, com mais oferta de emprego e melhoria do poder aquisitivo, tanto mais avançaria se os juros fossem razoáveis e não molestassem tanto os que têm de se valer de empréstimo bancário. A política de juro alto só beneficia os bancos, e sob o pretexto de segurar a inflação, a permisssividade para as taxas abusivas permanece.
Assim, de um lado os brasileiros não podem dispor de dinheiro barato para financiar os negócios e as compras, e de outro vivem ameaçados pelo espectro da inflação. Países onde os juros são baixos e estáveis, há desenvolvimento sustentável, e sem inflação. Se houver produção compatível com a demanda, não haverá risco inflacionário algum.

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