Política, carnaval e fantasia
O julgamento e a condenação de Lula pelo TRF-4 suscitou apoios e críticas. Uns pondo em dúvida as provas contra o ex-presidente, outros perguntando se é possível acreditar que uma grande empreiteira comprou uma obra falida e depois teve arroubos, em troca de nada, de adaptar um triplex com acessórios de luxo - como o elevador privativo - sem que o imóvel tivesse um destinatário que merecesse agrados. E-mails para lá e para cá, também dão conta que uma tal "madame" era contemplada com detalhes da decoração que incluiu uma cozinha planejada do mesmo modelo daquela que foi encontrada num sítio em Atibaia (SP), atribuído a Lula.
O fato é que o pós-julgamento, abriu novas frentes sobre a situação do ex-presidente muito além dos tribunais. O assunto não dividiu apenas a opinião de leigos, mas de especialistas alheios ao caso, como advogados invocados por quem defende ou rejeita a condenação, sem contar a imprensa nacional e estrangeira relatando fatos ou mesmo tomando partido das teses de defesa ou ataque.
O que se vê além de tudo isso é um desfile de provocações e blefes midiáticos como os que endossaram, no dia do julgamento, a ideia de que Bono Vox em pessoa desceria de sua torre musical para defender Lula num show em Porto Alegre. Claro que o astro não veio e a sua presença divulgada - até por um senador paranaense - caiu depois no esquecimento tendo em vista que se Bono veio, possivelmente foi abduzido antes do show porque ninguém mais soube dele.
Agora, às vésperas do Carnaval, novas narrativas tomam o rumo da defesa de Lula a partir de uma festa pop. Cogita-se que o PT, em reunião da sua Executiva Nacional, realizada no último dia 25, decidiu pela intenção de usar marchinhas carnavalescas e criar blocos em defesa do ex-presidente. "Vamos organizar blocos, marchinhas, fantasias que possam dialogar com a população sobre esse momento do país", diz a ata da reunião, firmada em 27 de janeiro.
Na contrapartida, o partido o perdeu de vez o humor ao decidir que o Pixuleco deverá sofrer perseguição implacável sempre que aparecer em protestos. Ao mesmo tempo, questionados, os dirigentes do partido dizem na imprensa que não pretendem fazer marchinhas, mas estimular sua criação junto à militância, repetindo o tipo de humor que já corre nas redes sociais em forma de memes.
Seja como for, tudo indica que a política definitivamente invadiu outros espaços da vida nacional e, este ano, o Carnaval vai exibir muito mais que máscaras dessa ou daquela personalidade, pelo menos até segunda ordem quando todos as máscaras caírem junto com a ostentação de poder dos colarinhos brancos que ainda nem começaram a ser julgados.





