A agenda comum para o Brasil que o presidente Lula irá propor na reunião que terá com os partidos precisará atentar para as questões maiores da nação, e de sua vez as agremiações partidárias não podem pensar apenas nas acomodações em ministérios e outras funções, no futuro Governo. Se acordos são necessários como instrumentos de governabilidade - sem os quais nenhum governo produz e nem sobrevive - será preciso que não apenas o presidente mas também as lideranças nacionais e a comunidade votante cobrem, de seus eleitos para os parlamentos, uma desempenho maior de suas obrigações. Porque o Congresso Nacional está devedor de muitas reformas e de mais atuação pelas causas da República. E também porque houve muita corrupção nesse meio, e esta é outra dívida que precisa ser resgatada. Se é necessário cobrar do novo Governo Lula e também cooperar com ele, os olhares do povo devem voltar-se igualmente para os parlamentos. E isto vale também para o plano estadual, que acaba de eleger novos governadores ou reeleger os atuais e de recompor seus Legislativos. O presidente Lula quer anunciar seu novo quadro ministerial até o Natal, e não pode realmente perder tempo, porque a nova temporada de trabalho começará dia 1º de janeiro e o Brasil tem pressa. Lula já definiu que não aceitará apoios pela metade, embora sem informar o que irá pedir e o que levará para dar em troca na reunião proposta. Ele não pode chegar sem projetos em mãos - a menos que vise apenas diminuir tensões e fique somente na oferta de permutar apoio logístico por cargos ou outras benesses. Por outro lado, sem ferir a sua liberdade, cobra-se do Congresso que mantenha sua independência mas que seja harmônico - quando os interesses forem da agenda comum do Brasil - e não um sistemático poder contrário. Especialmente se entrarem em pauta discussões das grandes reformas que a nação está reclamando. Se o primeiro mandato do metalúrgico/presidente Luiz Inácio Lula da Silva resultou num ensaio - que durou 4 anos e teve baixo resultado positivo - que essa longa preparação sirva agora para a grande revolução prometida, primeiro na campanha que o elegeu presidente - sem contar o mesmo discurso das campanhas anteriores - e nesta última que o reconduziu ao comando por mais um mandato. Câmara e Senado precisam ser criadores de boas leis e de extinção das que não servem - esta a sua principal atribuição - e também policiar o Governo. Os membros das duas Casas precisam, portanto, exercer governo, pela responsabilidade que lhes cabe de instrumentar a nação com uma sólida legislação, que propicie o desenvolvimento e afaste amarras e burocracias. Chega de tanta politicagem, apenas de conveniência individual e partidária e de composições do tipo mensalão, participação em falcatruas e barganhas espúrias. Se a união nacional proposta pelo futuro governante Lula deve contar com a participação e a presença vigilante também das lideranças nacionais extra-governo, os parlamentos precisam ser mais solicitados e cobrados, para que resultem mais atuantes. Os novos ocupantes do poder que irão assumir precisam ter em mira não a próxima eleição e os meros anseios de continuismo, mas o presente e o futuro dos brasileiros.

mockup