Policiando a polícia
A prisão ontem de dois delegados de carreira desmente a visão generalizada de que inexistem controles internos na área de Segurança, mas, pela forma como se deram as averiguações com escuta telefônica autorizada, percebe-se que se ações mais frequentes fossem desencadeadas a imagem da instituição seria outra e não haveria espaço para denúncias como as de Roberto Requião para o setor. O fato, porém, é que apesar das ações corajosas da Corregedoria (e por isso combatida ao desespero em diversos flancos e não apenas por policiais denunciados), a colheita de profissionais apanhados em desvios de conduta, como amostragem, é pequena.
O simples fato de a CPI nacional contra o narcotráfico, em sua passagem pelo Paraná, ter derrubado a cúpula da Polícia Civil, deveria ter inaugurado um ciclo novo tanto na área civil quanto na militar. Aliás essa contabilidade se repetiu por todo o Brasil, comprometendo o trabalho da instituição parlamentar e gerando no público a maior das frustrações.
Casos referenciais como o do deputado Hildebrando Pascoal, do Acre, geram a inquietação quanto ao funcionamento de outras instituições, incluindo o Judiciário, por não ser crível que aquele personagem não sofresse qualquer monitoramento a despeito de dirigir uma usina de delitos. Da mesma forma se levanta uma suspeita, cada vez mais abrangente, sobre o encadeamento do crime organizado com o governo capixaba, ao qual o governo federal concedeu o benefício da dúvida para impedir o anseio da cidadania pela intervenção.
A ousadia do crime organizado, manifesta de dentro das prisões de segurança máxima, como se vê no Rio de Janeiro, mostra que está mais bem aparelhado do que a malha institucional para combatê-lo. E o governo conta com um mínimo de infiltrados do outro lado, enquanto é cada vez mais surpreendente o número de aliados dos delinquentes no sistema de prevenção e repressão, abrangendo ainda a estrutura prisional sem o que Fernandinho Beira Mar não imperaria com tanta facilidade e desenvoltura.
BIZARRICE Mensagens gravadas do prefeito Cassio Taniguchi chegam aos lares pedindo votos para Beto Richa. É o Cassio 2, o da gravação.
AXIOMA O pastor Jesse Jackson, líder ianque, chega hoje para dar apoio ao Padre Roque. Se fosse o cantor pop Michael Jackson o efeito seria maior.
GLOSA ''Os pastores dessa aldeia já me fazem companhia'' poderia cantar o Padre Roque fazendo um olhar de zombaria a Alvaro e Requião que ficaram às voltas, por tanto tempo, com uma gravação sobre o Capeta.
EPIGRAMA Se a polícia começa a prender polícia, juiz a julgar e, até, quem sabe, a condenar juiz acabamos caindo num Estado de Direito Democrático. Mesmo assim o controle externo para todas as instituições é imperioso.
FOLCLORE A respeito de prisão de policiais ninguém se esquece da ocorrida no governo Paulo Pimentel contra Dorval Simões, da Furtos de Veículos, precedida de um aparato jamais visto em torno da Delegacia de tropas da PM, tudo comandado pelo Diretor da Polícia Civil, o promotor Luis Alberto Machado. Mais tarde a justiça devolveu o delegado ao cargo e com vencimentos atrasados e só faltou ele ingressar com uma ação indenizatória contra o Estado.
CROMO Se todo parasitismo tivesse a beleza das orquídeas seria uma virtude.
AFORÍSTICO Seo Creiçon num comício simulado em São Paulo reuniu 10 mil pessoas e não falou apenas para o ''lúmpem'' e o descamisado de Collor. Haja inveja!
VINHETA Restaurantes de Santa Felicidade torcem pelo segundo turno. A razão e a ração aí caminham juntas.





