No Brasil, grandes falcatruas envolvem com frequência gente da esfera governamental, e no setor da segurança não são novidade os casos de policiais participando de quadrilhas criminosas. O noticiário de ontem registrou a prisão de uma quadrilha formada na maioria por policiais militares e ex-policiais, que assaltavam - nas estradas paranaenses - ônibus de turismo, caminhões e carros de passeio que iam para o Paraguai ou retornavam de lá.
Há que se dizer sempre, embora tais fatos sejam tristemente comuns no Brasil, que no âmbito da segurança pública imperam também focos de perigo para a população. Dos 11 presos na operação 4 são ex-policiais, 2 soldados e 2 investigadores da Polícia Civil. O fato de alguns já não estarem na ativa não invalida a origem, demonstrando que existem pessoas com tendência criminosa que se engajam nos organismos de segurança, com má intenção ou não, mas se o desvio acontece é porque a seletividade e a formação posterior não foram satisfatórias.
Da mesma forma ocorre a baixa exigência de partidos políticos ao indicar candidatos a cargos eletivos. Também ontem o noticiário deste Jornal revelou a prisão de um candidato a prefeito de Porecatu por acusação de receptar cargas roubadas e que eram vendidas em suas 11 lojas e em outras da região. Policiais envolvidos com a criminalidade, candidatos com ficha enodoada podendo concorrer e os escândalos de corrupção correndo soltos nas administrações públicas - conforme atestam as publicações diárias dos veículos de comunicação - compõem um quadro desalentador, e é nesse universo que está convivendo a população brasileira.
No rádio e na televisão os candidatos pregam honradez, que - ressalvadas as exceções - não se confirma quando eles são guindados ao poder. Se a roubalheira no âmbito da vida pública se opera por mão dupla - porque os superfaturamentos de obras, serviços e compras têm também a participação de organizações privadas - os governos não podem ser os agentes favorecedores disto.

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