Policiais civis, levantem suas vozes
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quinta-feira, 09 de janeiro de 1997
Vitenberg Gomes Mendes 
A expansão da criminalidade no Paraná tem gerado revolta na população. Recente pesquisa de opinião, realizada pelo Ibope, constatou que a prioridade do povo, nas principais cidades do Estado, é a segurança pública.
A escalada da violência está atingindo grandes proporções. Policiais civis, que antes estavam nas ruas investigando, hoje se transformaram em meros carcereiros de presos, condenados pela justiça ou aguardando julgamento nas delegacias super lotadas. O cidadão que paga seus impostos, assiste inerte a frutos, roubos, homicídios, tráfico de drogas, etc, sem nenhuma providência efetiva das autoridades constituídas.
Ainda há o agravante de que quando os presos fogem, por absoluta falta de segurança nas unidades policiais, seus agentes e os auxiliares da autoridade são indiciados em inquéritos e respondem a processos administrativos, como prêmio por estarem exercendo uma função que não é de sua competência.
A Secretaria dessa Pasta, nestes dois últimos anos, nem sequer esboçou vontade e determinação para solucionar os problemas sociais existentes dentro da Polícia Civil.
As distorções salariais dentro da instituição têm gerado revolta por parte dos seus integrantes, que até a presente data, não tiveram as promessas salariais cumpridas pela chefia do Executivo.
O TIDE - Tempo Integral e Dedicação Exclusiva -, tão propalado por algumas autoridades governamentais, na verdade foi um embuste, pois prometeram dar o índice determinado pelo Superior Tribunal Federal, ou seja, 120% sobre todas as vantagens, recebidas por cerca de 400 policiais, que seria estendido para os demais. Na verdade o concedido de 49%, não foi o negociado, causando com isto um verdadeiro desalento na classe. O descrédito das chefias é muito grande e a insatisfação é geral.
As entidades de classes da Polícia Civil reuniram-se e contrataram um renomado técnico na área de recursos humanos para elaborar um estudo sobre política salarial para os policiais civis. O documento foi entregue a todas as Autoridades Governamentais, mas, até o presente momento, nenhuma medida efetiva foi tomada.
Mudanças de atitude por parte do governo, viriam contribuir para baixo índice de criminalidade nas grandes cidades paranaenses. Exemplos trágicos como o Rio de Janeiro e São Paulo, tem que ser evitados pelos nossos governantes, para que a Segurança Pública aqui, também não venha a ser caso de calamidade pública, num futuro próximo.
É inquietante para os policiais verem a população clamando por segurança e não poderem fazer nada.
A perda de algumas referências na área de investigação criminal traz prejuízos enormes, principalmente ao cidadão que se dirige a uma delegacia e não é atendido: queremos que o povo volte a ter confiança na instituição Policial Civil.
Embora a Polícia Civil paranaense seja a melhor do Brasil, tememos que a falta de uma política salarial venha trazer problemas futuros, com o sucateamento da instituição, como em governos anteriores.
Não há empenho das autoridades responsáveis por essa área tão complexa, mas os policiais civis devem levantar suas vozes mostrando ao povo o por quê de toda essa insegurança.


