Polícia também morre em Foz
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sábado, 27 de setembro de 2003
Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu - Um sargento do 14º Batalhão da Polícia Militar (BPM), um guarda municipal e um policial federal morrem à tiro em Foz do Iguaçu desde 2001. Das três mortes, as duas últimas ocorreram em situações não necessariamente caracterizadas como confronto armado com bandidos. Todas chocaram a sociedade e as famílias das vítimas e são alvos de investigação judicial.
O guarda municipal Jairo Von Muheln, 40, morreu na noite de 30 de maio do ano passado. Acompanhado da noiva, ele chegava à sua casa, no bairro Maracanã, quando dois homens, ocupando uma moto, deram voz de assalto. A dupla queria roubar a moto de Muheln, que reagiu e foi baleado fatalmente no tórax.
Vizinho e colega da vítima, José Domanski saiu em defesa do amigo e também foi baleado. Socorrido pelo Siate, foi encaminhado ao hospital e sobreviveu. Os dois assassinos já foram identificados pela polícia (Zelau de Moura, 19, e Wilson Neves de Azevedo, 29), porém ambos continuam foragidos.
Em 5 de janeiro de 2002, o sargento Aílson José dos Santos, 28, foi baleado quando supostamente extorquia um grupo de sacoleiros no seu dia de folga. Um policial civil flagrou a prática, deu um tiro de advertência para o alto, mas o projétil acertou a cabeça do sargento, que morreu três dias depois.
A última morte de policial ocorreu neste mês. O agente federal Gláucio Marques de Oliveira, 39, foi executado com quatro tiros na cabeça no dia 13. O crime era para ser um assalto, mas a quadrilha, quando soube a função da vítima, decidiu executá-la. Dois assassinos, confessos, foram presos. A Polícia Federal investiga o paradeiro do terceiro integrante da quadrilha.
O comandante do 14º BPM, tenente-coronel Ataídes Antônio Casarolli, disse à Folha que o quartel não registrou baixas em tiroteios de 2001 a 2003, principalmente por causa do uso de equipamentos de proteção e aperfeiçoamento das técnicas de abordagem. Ele destacou que, mesmo com os coletes, um policial foi ferido em 2001, dois em 2002 e um em 2003.
''Um tempo atrás, a polícia perdeu bons policiais, mas hoje é obrigatório o uso de coletes, que, comprovadamente, têm evitado novas baixas'', afirmou. A proteção, no entanto, não evitou que o soldado Darci Alves Cirino fosse baleado na axila num tiroteio com um assaltante de carro. O policial ficou tetraplégico, lamenta Casarolli. (AP)


