Polícia sem político e sem corrupção
Os futuros presidente da República e governadores de Estado têm um grande desafio pela frente. Moralizar a polícia, hoje contaminada, e acabar com a interferência de políticos nos concursos e nomeações de delegados. Dois recentes casos mostram que a passagem da CPI Nacional do Narcotráfico, em março de 2000, pelo Paraná, não acabou com a corrupção no sistema.
A Justiça da pequena Rio Negro mandou prender no final do mês passado nada mais nada menos que dois delegados e um superintendente da Delegacia de Estelionato e Desvios de Cargas de Curitiba. Sob a acusação de facilitar, mediante pagamento, as ações de uma quadrilha especializada em roubo de caminhões, desvio de cargas e receptação de produtos roubados. A delegada, envolvida no caso, conseguiu driblar a polícia e está foragida em outro Estado.
Anteontem, para mais uma surpresa dos paranaenses, outra quadrilha de roubo de caminhonetes foi desmantelada e na chefia do bando um policial civil, coincidentemente preso durante a passagem da CPI por Curitiba e liberado dias depois por, em tese, não haver provas suficientes para mantê-lo atrás das grades, o que também não deu sustentação para o processo de exoneração.
A verdade é que o cidadão não confia na polícia e os futuros governantes precisam pensar nisso se quiserem governar com tranquilidade, sem ter as suas administrações comprometidas. A corrupção instalada no sistema policial brasileiro é um dos motivos para a falta de segurança vivida pela população. Não se pode mais assistir passivos cenas como a de traficantes do Rio de Janeiro dando ordens, manipulando informações e deixando a população em pânico.
A depuração tem que ser para valer e o administrador público tem ainda que se aliar a instituições como o Ministério Público para levar até o fim a investigação de indícios de corrupção que pipocam a cada dia. As prisões, solicitadas pelo Ministério Público e autorizadas pela Justiça, como foi no caso da quadrilha ligada à Delegacia de Estelionatos de Curitiba, podem até parecer medidas extremas num primeiro momento, mas, por outro lado, podem também ser um começo de um processo de moralização e de limpeza.





