Polícia prendendo mandantes do tráfico
O que se tem defendido neste Editorial acaba de acontecer em Londrina: a prisão não só de distribuidores miúdos mas de comandantes do tráfico de drogas. Numa bem-sucedida operação, o núcleo pertinente da Polícia Civil fez nove prisões e apreendeu veículos, dinheiro e documentos utilizados para essa atividade criminosa. O negócio desse grupo, sediado na Zona Sul da cidade, comercializava entorpecentes no atacado e no varejo e, neste último, caso utilizando-se dos denominados ''formiguinhas'', que fazem a distribuição aos viciados. É justamente nesse universo dos distribuidores - gente de menor expressão no bando - onde acontecem com frequência os assassinatos por causa dos acertos de contas.
O Núcleo de Repressão ao Tráfico de Drogas é um braço da Divisão de Narcotráfico da Polícia Civil do Paraná, e na diligência de Londrina - sob o comando do delegado Michel Araújo - atuaram também militares do Pelotão de Choque. Já fazia mais de um ano que a quadrilha atuava em Londrina, até que, por denúncias anônimas, nos últimos quatro meses a Polícia começou a fazer investigações. O resultado foi vitorioso, e se essas pessoas presas (e outras que possivelmente ainda o sejam) não forem postas em liberdade, Londrina ao menos se livra de uma perigosa quadrilha. A droga entrava pela fronteira de Foz do Iguaçu com o Paraguai e era recebida por um casal, que também foi preso. Os carregamentos eram semanais.
Prender os mandantes, este é o caminho para conter o negócio das drogas, que tem ramificações transnacionais e envolve grandes e poderosos grupos e somas fabulosos, mais o arsenal bélico, que inclui armas pesadas só encontráveis nos mais sofisticados exércitos oficiais. Trata-se de um sistema de difícil contenção, porque tem influentes figuras da criminalidade em seus comandos, algumas atuando a partir de dentro das prisões. Mas isto não invalida a ação de repressão, que alcança sucessos isolados mas relevantes, como o de agora em Londrina.
São batalhas que precisam continuar, não importando o gigantismo do negócio das drogas. Se a Polícia, em cada cidade, empenhar-se prioritariamente no combate ao tráfico, eliminará como consequência todo um corolário de crimes, porque a violência associa-se às misérias sociais e também à comercialização e ao consumo de entorpecentes. Esta é, sem dúvida, a maior das pestilências mundiais, que traz em seu ventre interesses econômicos de grande monta e a indução ao vício, que depois que se assenta torna-se difícil de remover e implica em enorme custo social.
Pela sua natureza, o negócio das drogas recria-se em si mesmo, porque se uma quadrilha é presa, a tendência é formar-se outra, pela ação contínua dos escalões superiores, que têm grande força de dominação e parece não se intimidarem com nada. Mas não há mal que não possa ser destruído, porque a repressão também encerra em si mesma grande poder de combate.





