Polícia pacificadora no Paraná
A exemplo das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) do Rio de Janeiro, o governo do Paraná também desenvolve um projeto semelhante, por aqui batizado de Unidade Paraná Seguro (UPS). Assim como no município carioca, a proposta paranaense é instalar esses postos em áreas de alto índice de criminalidade, começando pela Região Metropolitana de Curitiba (RMC).
Por enquanto, o governo só adiantou que elas serão instaladas no primeiro semestre deste ano. Locais e datas estão sendo estrategicamente mantidos em sigilo. A intenção é que outros municípios do interior sejam contemplados em uma segunda etapa. O governador Beto Richa assume que buscou na iniciativa carioca a inspiração do projeto, mas garante que ela será adaptada à realidade paranaense.
A primeira UPP foi implementada pela Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro em 2008. O projeto consiste na instalação de bases policiais comunitárias dentro das favelas daquela capital, começando pelo Morro Santa Marta e ampliado depois para outros locais, como Cidade de Deus. Simplificando, as UPPs têm o trabalho de ''tomar'' dos traficantes de drogas o controle sobre aquelas comunidades, reconstituindo um ambiente de ''normalidade'' para que a população viva com mais tranquilidade.
O diferencial desse projeto é que junto à presença policial constante, esses territórios receberam um forte trabalho social e educacional. As UPPs mexeram até com o mercado imobiliário do Rio de Janeiro, pois terrenos e casas em torno das favelas acabaram tendo seus preços valorizados.
Curitiba não é o Rio de Janeiro, mas os índices de criminalidade assustam e em muitos bairros estão diretamente ligados ao tráfico de drogas. Curitiba e RMC são responsáveis por mais da metade dos homicídios cometidos no Estado e a população equivale a cerca de um terço dos habitantes. No ano passado, foram 1.543 assassinatos, segundo a Secretaria de Segurança Pública.
Ainda é cedo para qualquer avaliação sobre as UPSs do governo estadual, mas o projeto poderá ser um marco na garantia de uma vida melhor às pessoas que vivem em áreas controladas por criminosos. Mas é preciso que as unidades sejam realmente bem adaptadas à realidade paranaense. Outro fator decisivo para o sucesso da proposta é a filosofia de trabalho dos policiais das UPSs. Trata-se muito mais de um policiamento comunitário, com papel de ajudar nas necessidades dos moradores. Nossos policiais precisam estar bem preparados para essa função pacificadora.





