A Polícia não mataria intencionalmente uma jovem inocente - e em certas circunstâncias não deve fazê-lo nem com um culpado - mas o que aconteceu domingo na localidade paranaense de Porto Amazonas não pode ser levado simplesmente à conta de um engano e sim de arbitrariedade. Ao atirar num carro e matar uma moça de 20 anos os policiais se excederam, porque em caçada a outro veículo parecido e pilotado por infratores, ocorreu a colisão de uma viatura com o automóvel em que estava a vítima, e só o fato de os passageiros estarem aparentemente imobilizados pelo acidente dispensaria a imediata abertura de fogo.
Se houve o engano, não está dispensada a atitude apressada e violenta de primeiro atirar para depois saber. O automóvel já estava sem ação, sem necessidade dessa valentia policial que vitimou a moça com um tiro e enlutou sua família. O provável veículo que os policiais realmente procuravam, por haver furado um cerco da Polícia Rodoviária, foi depois encontrado abandonado e com uma carga de cigarros contrabandeados do Paraguai. Uma das recomendações que fundamentam o comportamento policial é atirar só em circunstância específica, mas nunca num caso como este, porque não havia necessidade.
Tratando-se de perseguição policial, é bastante provável que foram as viaturas da Polícia que causaram a colisão, e este é mais um detalhe que precisa ser investigado, porque essas correrias, muito frequentes, não podem oferecer risco à segurança de outros veículos e de pedestres. Porque pode ocorrer de inocentes sofrerem consequências fatais. Um choque provocado por essas imprudências já é uma danosa consequência, que se agrava quando policiais semeiam balas, atingindo outras pessoas. Não há engano quando há perigo calculado, sem resistência, como este que resultou na morte da jovem. Quem atirou sabia que poderia matar, sem certificar-se de quem estava dentro do veículo.
Pouco serve a Polícia depois recolher os policiais, tomar-lhes as armas e declarar que lamenta o acontecido, porque um mal que poderia ser evitado já está feito. As missões de captura de bandidos não são fáceis, ainda mais se ocorre tiroteio cruzado, porque os agentes também ficam expostos, mas há policiais despreparados, que se imaginam com o poder absoluto da autoridade e acionam aleatoriamente a arma. São casos como este que fortalecem o temor que os cidadãos têm da Polícia, tanto quanto temem os bandidos. Porque os policiais usam armas e são capazes de praticar desnecessária violência.

mockup