Polícia Civil exige bom preparo físico
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de junho de 2007
Marco Feltrin<br>Reportagem Local 
Emprego público é sinônimo de estabilidade e, muitas vezes, bons salários. Tanto que alguns concursos recebem enxurradas de inscrições para cargos que superam mil candidatos por vaga. Na hora de se preparar para a disputa, o concorrente passa horas debruçado sobre os livros e acaba esquecendo de uma questão fundamental em alguns processos de seleção: o exame físico.
É o caso do concurso aberto pelo governo do Paraná para a Polícia Civil, que oferece 542 vagas para delegados, investigadores, escrivães e papiloscopistas. As inscrições vão até 25 de junho. A primeira fase, prova de conhecimentos gerais, está marcada para 22 de julho. Na segunda fase, no dia 19 de agosto, serão testados os conhecimentos específicos dos candidatos.
Superadas as duas primeiras etapas, a questão física passa a ser determinante na busca pela vaga. Primeiro vem uma série de exames para atestar o estado de saúde do candidato, com testes de laboratório (HIV, hepatite C, glicemia, entre outros), raio-x do tórax, além de avaliações neurológicas, oftalmológicas, otorrinolaringológicas, cardiovasculares e ortopédicas.
Se os testes não indicarem nenhuma doença que impeça o exercício da profissão, chega a vez do exame de aptidão física, que será realizado na Escola Superior de Polícia Civil, em Curitiba. O candidato será submetido a seis provas: impulsão vertical, salto em extensão, flexão abdominal, escalada em corda, corrida de segmento e corrida aeróbica. As provas são de caráter eliminatório.
De acordo com a professora de educação física Lilian Barazetti, que já foi banca de exames em concursos públicos, os candidatos devem ser fisicamente ativos, ou seja, praticar atividades físicas três vezes por semana durante cerca de 40 minutos. ''O candidato que leva uma vida sedentária, com certeza não terá a menor chance. Quem não estiver se preparando, não vai passar'', sentencia a professora.
Pensando nisso, Sérgio Fischer, de 32 anos, frequenta a academia três vezes por semana em busca de um melhor condicionamento físico. Ele também vai prestar o concurso da Polícia Federal, para o qual está se preparando há quase um ano.
''Na parte teórica vai bater muito o conteúdo que já estudei, então estou mais tranquilo. Mas a parte física vai reprovar muita gente. Estão exigindo o mesmo porte físico do exame para ser bombeiro'', reclama.
O diretor da Escola Superior de Polícia Civil, Cláudio Telles, afirma que o teste físico foi elaborado pelos professores da instituição com base em testes anteriores e na Lei Complementar nº 14/1982 , que rege o estatuto da Polícia Civil. ''A exigência foi até diminuida se comparada a exames de outros concursos. São critérios técnicos exigidos de um profissional em início de carreira'', argumenta o diretor.
Lilian Barazetti concorda com Telles, e diz que existem concursos com exigência física muito maior. ''É para um perfil que a gente considera normal. Em uma escala de um a cinco, o nível de dificuldade está entre dois e três'', avalia. A professora recomenda que os candidatos façam, além dos exercícios aeróbicos e localizados frequentemente, uma simulação do exame completo, para saber as reais condições e não ser surpreendido na hora da prova. ''Muitas pessoas acabam reprovando não por falta de capacidade, mas porque não conheciam o teste''.
Carlos Pelarin, de 30 anos, não frequenta academia, mas sempre dá uma pausa nos livros para fazer cerca de uma hora de exercícios, pelo menos três vezes por semana. A maior preocupação dele é com a prova de escalada em corda.
''É a que mais vai reprovar, porque é uma corda lisa, difícil de subir. Mas estou me preparando, otimista em cumprir todas as etapas'', prevê o candidato, lembrando que alguns fatores podem atrapalhar na hora da prova. ''Vai depender muito do dia. Tem que acordar bem, estar disposto. Uma gripe, por exemplo, já diminui bastante as chances de um bom desempenho''.


