Crucial para a elucidação de um crime e composição das provas, a Polícia Científica do Paraná tem sofrido com a falta de estrutura. Assim como vários outros setores que compõem o serviço público, as atuais condições de trabalho são resultado de anos sem qualquer investimento, tanto em
equipamentos como em pessoal. Agora, frente ao aumento da população – e consequentemente da criminalidade – a atual estrutura não está preparada para suportar a crescente demanda, o que acaba por resultar na já usual morosidade dos serviços públicos.
A atuação dos peritos criminais ganhou destaque no último mês e foi determinante para uma reviravolta no "caso Tayná". Quatro homens foram presos pela Polícia Civil e chegaram a confessar que estupraram e mataram a adolescente de 14 anos, o que foi contestado pela perita Jussara
Joeckel. Um exame de DNA confirmou que o sêmen encontrado na menina não era dos quatro suspeitos presos. No entanto, o que também é preciso esclarecer à população é que, além do glamour gerado pelas séries hollywoodianas que mostram o dia a dia das investigações criminais, o
trabalho exige atenção e requer investimentos. É fundamental para a construção de uma sociedade mais justa.
Investimentos na estrutura e no aparelhamento da Polícia Científica resultam na solução mais célere de crimes, não somente de violência contra pessoas e contra a vida. Significa também que os verdadeiros culpados pagarão pelos seus crimes, em detrimento ao sacrifício de inocentes. Os
equívocos são minimizados por meio de provas científicas irrefutáveis.
Sem investimentos na estrutura "há décadas", como afirmam os peritos hoje em reportagem desta FOLHA, os funcionários e a população sabem que o problema não será resolvido em pouco tempo. Mas também não pode ser deixado de lado. É urgente que a estrutura seja melhorada, que mais
funcionários sejam contratados e treinados para a execução do serviço.
Equipamentos apreendidos há anos não podem continuar esquecidos à espera de uma perícia que nunca é realizada, até porque esse trabalho é fundamental para a composição das provas que embasam uma ação judicial.
Tudo isso acaba por reforçar entre a população o conceito de que a Justiça
é morosa e de que a prisão foi feita para poucas pessoas.

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