Polêmico até o fim
Ele conquistou o principal cargo da República após um dos maiores escândalos de corrupção da história recente do país, seguido de manifestação popular que já não se vê nestes dias de anestesia cívica. No último fim de semana, protagonizou seu último ato. Itamar Franco morreu aos 81 anos no momento em que retomava vida pública na política nacional, como um dos personagens principais de uma oposição que não consegue desempenhar seu papel diante da força do governo federal.
A participação como vice na chapa de Fernando Collor (PRB) à Presidência em 1989 foi um choque para seus correligionários. Mas as relações entre os dois azedaram ainda na campanha, e perdurou assim até os últimos dias do governo ''collorido''.
Ao túmulo levou uma grande mágoa: a falta de reconhecimento por sua participação na reestruturação econômica do país e por ter contribuído para a construção de um ambiente favorável à vitória de seu sucessor, Fernando Henrique Cardoso.
Mas teve papel importante na reestruturação econômica nacional. Durante seu governo deu autonomia ao então ministro da Fazenda, FHC, para montar equipe e formular os alicerces do Plano Real, que livrou o país da hiperinflação.
Na volta ao Senado, este ano, para seu terceiro mandato como senador, Itamar criticou o cenário que encontrou: falta de debates, interferência excessiva do Executivo e desorganização da oposição.
''Quando morrer, talvez me façam justiça'', teria dito a um amigo em seus últimos dias. Uma bela homenagem seria arrumar a Casa a qual atualmente representava. Seria um benefício para toda a Nação.





