Polêmica sobre as Escrituras
Jorge Luiz Vieira Trannin
Caro verborrágico jornalista Walmor Macarini. Na qualidade de ‘‘bibliólogo obscuro e fanatizado’’ li seu artigo no Espaço Aberto da Folha do dia 15, onde o senhor faz ousadas asseverações acerca de um assunto que demonstra desconhecer profundamente.
Homens que viveram antes de Jesus, como Moisés e todos os profetas do Antigo Testamento, há milênios, falavam da vinda de um Messias, e nessa fé e esperança foram salvos, chegando assim a Deus. O senhor pergunta como chegaram a Deus os homens que viveram há ‘‘milhões’’ de anos. Resposta: pela fé no Messias, assim como depois da vinda dele; essa mesma fé é salvadora para os que nele creram. O justo vive pela fé.
Outros viveram com Jesus, como João, Pedro, Marcos, Mateus, e além de escreverem a respeito dele, mostraram-se dispostos a morrer por ele. Eles estavam certos de que Jesus não era apenas um homem, mas que ele era o próprio Deus. Para nós, não existe outro mediador, por quem importa sermos salvos, a não ser ele, que é o caminho, a verdade e a vida.
Não temos que nos esforçar por inúmeras passagens, por reencarnações estapafúrdias, porque já temos em nós mesmos a vida eterna, que nos foi dada pelo sangue do Cordeiro, que ressuscitou dentre os mortos. Esse sacrifício reconciliador foi perfeito e impossível de ser imitado. Na cruz, pela fé, ele nos deu o poder de sermos chamados filhos de Deus. Condição que perdemos por causa do pecado.
Lutero, Calvino, Huss, Wesley, Jeronimo, Zuinglio foram homens que não se conformaram com o fato de que esconderam a verdade dos leigos e incultos e só permitiram que a Bíblia fosse lida pela Igreja forte da época; e essa mesma Igreja usava a alegação que com tristeza vejo que o senhor faz de novo: a Bíblia só deveria ser lida pelos iluminados. Caso alguns desses homens não tivessem tido morte horrível na fogueira, para que a Bíblia fosse lida por todos os homens e em suas línguas, provavelmente ainda viveríamos sob o jugo daquela Igreja medieval, com sua venda de indulgências e obscurantismo. O seu argumento ‘‘atual’’ é o mesmo da Idade Média.
Afirmar que Jesus ressuscitou na carne, é a linha básica da nossa fé. Não temos mais a imagem e semelhança de Deus, porque caímos no pecado. Não esperamos mudar este mundo, porque este mundo não é o nosso. Não esperamos que neste mundo haja tranquilidade, porque sabemos que no mundo teremos aflições. Não esperamos trazer paz ao mundo; ele também não esperava isso, mas sabia que por causa de sua palavra, importava que fôssemos perseguidos e mortos.
Não esperamos que possa a lei ser mudada, porque ele não veio para mudar a lei, mas para cumpri-la. Não esperamos melhorar com o passar das gerações; ao contrário, o passar dos anos só nos aproxima de nossa redenção, pregada por Jesus, para todo o mundo. Não aceitamos conversar com mortos, simplesmente porque isso é impossível. Não aceitamos novas revelações, para que não sejamos enganados novamente pelo pai da mentira. Então, que semelhanças existem entre o que ensinou Jesus e o que Buda, espíritas e outros, ensinam?
Agora, homens que se dizem sábios tentam nos trazer novamente ‘‘novidades’’, novas ‘‘verdades’’, que nasceram nos seus próprios umbigos. Também sobre isso já havia previsto Jesus. Ele veio para nos salvar, senhor Macarini, e importa que todos saibam que ele vai voltar, desta vez não como Salvador, mas como juiz e rei, bendito e glorioso para todo o sempre.
- JORGE LUIZ VIEIRA TRANNIN é médico e evangélico-luterano em Capitão Leônidas Marques

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