Polêmica esquecida
Na noite do dia 27 de outubro, três estudantes do curso de Geografia da Universidade de São Paulo (USP) foram flagrados pela Polícia Militar (PM) com maconha e levados para uma delegacia. A ocorrência gerou um conflito entre universitários e direção da USP que dura vários dias, com a veiculação diária de imagens de jovens encapuzados ocupando um prédio da maior e mais importante instituição de nível superior do Brasil.
Os estudantes querem que a reitoria da USP cancele o contrato que permite que a PM trabalhe no campus. Esse contrato com a polícia foi assinado depois da morte do jovem Felipe Ramos de Paiva, de 24 anos, assassinado a tiros, em 18 de maio, dentro do estacionamento da Faculdade de Economia e Administração (FEA), depois de bandidos tentarem roubar seu carro.
A detenção dos tres universitários de Geografia deu início a uma maniffestação de 300 alunos na mesma noite do dia 27 de outubro. Eles protestavam contra à ida dos suspeitos para a delegacia e à presença da polícia no campus. Houve confronto, alunos saíram feridos e seis carros da policia acabaram apedrejados.
Enquanto a confusão tomava conta da USP, os três estudantes assinavam um termo circunstanciado sobre drogas para consumo pessoal sem autorização e foram liberados. A polêmica que se seguiu à detenção dos três jovens durante toda a semana fizeram com que outros temas ocupassem as discussões sobre o conflito ente estudantes e direção da USP. O uso de drogas entre universitários e tráfico dentro do campus, problema que gerou toda a confusão acabou esquecido pela sociedade. Em entrevista a um jornal de São Paulo nos dias seguintes, os estudantes de Geografia contaram que tinham comprado a droga ali mesmo na USP.
Com ou sem PM no campus, o que é considerado ilícito no Brasil vale para dentro das universidades. Mesmo que muitos segmentos discutam a legalização da maconha, a substância é proibida no Brasil. Esse é o primeiro ponto que deveria ser retomado no debate sobre o caso da USP. O outro ponto é como frear o uso crescente de drogas entre os jovens e impedir a atuação de traficantes nas portas das escolas e universidades. Há tempos o governo federal emplacou campanhas importantes contra o uso de entorpecentes, como aquela com o slogan Diga Nào às Drogas. Já está na hora de novas e grandes campanhas serem desenvolvidas e implantadas.





