A abertura de concursos públicos para o quadro do magistério estadual e o aumento do efetivo policial no Paraná, às vésperas das eleições, volta a criar polêmica neste momento em que se inicia a transição no governo do Paraná, mas provavelmente em dimensão maior do que quando os dois fatos foram anunciados. Era de se esperar.
Claro que no caso da segurança pública, segundo pleitos apresentados pelos delegados de polícia, há necessidade de aumentar o efetivo. Ainda assim, cabe ao governador eleito, que durante a campanha comprometeu-se a promover uma limpeza na polícia extirpando das corporações aqueles que se alinham ao que ele chama de banda podre , verificar antes de um concurso a real defasagem de homens. E o governador eleito nem assumiu ainda. Também não dará a transição condições de trabalhar este levantamento.
Já no caso do magistério, desconhece-se um levantamento mais profundo apontando as necessidades do setor. Embora admissível a ocorrência de defasagem, um concurso exige, da mesma forma, a checagem da real situação.
Sem a intenção de comparar estes dois casos com outros, vale lembrar que milhares de brasileiros já foram no passado iludidos por concursos públicos. Grandes estatais nacionais, cujas vagas costumam ser disputadas por números recordes de candidatos, realizaram seus concursos públicos. Mas muitos aprovados jamais foram convocados, sob a justificativa de expiração do prazo de validade desse processo de seleção. E ficaram impressões estranhas: concursos, na ótica de alguns, são mais uma ferramenta de arrecadação de recursos dos governos, já que se paga caro pela inscrição.
Walter Ogama

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