Em 2003, uma organização criminosa instalou-se no poder. Sedentos por dinheiro, Lula e seus aliados achavam que o País iria acabar depois deles e tinham que roubar tudo que tivessem direito. Devastaram impiedosamente as contas públicas, arruinaram nossa economia, desempregaram 14 milhões de trabalhadores e deixaram o Brasil mergulhado na maior crise social e moral da sua história. Apeado o principal comando da quadrilha, esperava-se que os remanescentes responsáveis pela nova fase da governança agissem com prudência e honestidade no trato da coisa pública, tanto pelas revelações dos escândalos que chocaram a opinião pública, como pela vigilância e o pleno curso das investigações da Operação Lava Jato. Mas que nada, a gatunagem continuou escancarada.

O novo comando revelou-se ainda mais refinado no modus operandi em saquear o erário. Se Lula "nunca sabia de nada" e agora utiliza-se da covardia e da canalhice de jogar a culpa das suas falcatruas na falecida esposa, Temer usa o "eu não disse isso" negando a sua própria voz gravada em indecorosos diálogos com corruptores. Se a turma de Lula formou quadrilha com a gangue das empreiteiras para dizimar a Petrobras, os corruptos que rodeiam Temer aliaram-se ao bando dos dois açougueiros para se apoderarem de dinheiro do BNDES. Aliás, são cenas vergonhosas e deprimentes o fato de assessores de estrita confiança do presidente da República e de senadores transportando malas abarrotadas do dinheiro sujo. Asco, repúdio, indignação e enfurecimento não bastam para exprimir o sentimento dos brasileiros honrados. É muita crueldade com aqueles que sofrem as agruras do desemprego, da falta dos remédios básicos e até do que comer, assistindo tal indecência e tanta desonestidade praticada por esses impostores.

Na tentativa de escamotear seus crimes, os trapaceiros querem nos fazer acreditar em alegações grotescas e surreais. Os milhões de dólares de Eduardo Cunha depositados na Suíça não pertencia a ele, mas era ele quem gastava. Aécio Neves declarou que os R$ 2 milhões que o empresário, que agora ele chama de bandido, lhe entregou era um empréstimo. Por que, então, pedir socorro financeiro a alguém que reputa ser criminoso e em dinheiro vivo transportado de forma camuflada? Por que não fazê-lo por documento bancário? Não seria mais ético e transparente um presidente da República receber em seu gabinete um importante empresário nacional com agenda oficial, do que acolhê-lo nos porões do palácio residencial, altas horas da noite, sem ao menos registrar a sua entrada na portaria? São atitudes suspeitíssimas que não têm explicação honesta e que afrontam e subestimam a nossa inteligência.

Mas a maior preocupação é com a cooptação que estão fazendo de ministros do STF. Enquanto Lula contou com dois magistrados para aliviar as penas dos mensaleiros, Temer e seus aliados enrolados na Lava Jato têm o beneplácito de vários deles para permanecerem sem punição. Jantares informais e secretos evidenciam um movimento silencioso para blindar os criminosos. E a impunidade começa a grassar vergonhosamente. A devolução de plenos poderes no exercício do mandato para o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e a soltura de Rodrigo da Rocha Loures (PMDB-PR), às vésperas de um recesso do Judiciário, representa um acintoso tapa na cara dos brasileiros.

Submeter a Suprema Corte aos seus interesses pessoais e ditatoriais foi a estratégia de Nicolás Maduro para acabar com a democracia na Venezuela. Não podemos trilhar esse mesmo caminho. Os brasileiros do bem precisam voltar rapidamente para as ruas, apoiar a Lava Jato e bradar contra os bandidos que roubam as nossas esperanças e destroem a Nação.

LUDINEI PICELLI é administrador de empresas em Londrina

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Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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