Os quatro maiores bancos brasileiros (Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santandes) já têm ativos que, somados, chegam a U$ 670 bilhões - o equivalente a R$ 1,2 trihão, ou quase 60% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. Os dados são da consultoria Economática. Os lucros destas instituições, que crescem ano a ano, não tem similar na economia nacional - com exceção da Petrobrás, que é a maior empresa brasileira. Nesta entrevista, o diretor do Sindicato dos Bancários de Curitiba, Pablo Diaz, dá sua opinião sobre o assunto.



O lucro dos bancos é excessivo?
Vejo da seguinte maneira: é sintoma da concentração do mercado. A partir dos anos 80 os bancos deixam de ser instituições com função específica para se tornarem grandes conglomerados. As antigas empresas seguradoras e de outros produtos foram sendo absorvidas. Outra coisa: nos EUA um banco pode ter no máximo 10% do ativo total do país. Aqui, os cinco maiores bancos detém 70%. Aprofundando essa estrutura de oligopólio, os bancos têm maior poder de fogo e de manipulação.

E a taxa de juros?
Também contribui, claro. E há um problema ainda mais grave. Muito do dinheiro que saiu do país pelas contas CC5 (de forma irregular, pelo antigo Banestado), transformou-se em fundos de investimento e vem sendo repatriados como se fosse de investidores internacionais. Então, há uma pressão extremamente grande para se manter o juro muito alto e remunerar essa mesma elite que sempre se locupletou e hoje ganha com a especulação. A gente sabe que o STF ainda está sentado em cima do problema (processo sobre as contas CC5) e ninguém abre isso.

Os juros também influenciam os preços ao consumidor?
Sem dúvida. A formação do preço de venda leva em conta os custos fixos e os variáveis. No caso dos variáveis, o juro é um componente muito forte. E há outros problemas: no Brasil, o bom e o mau pagador são tratados com o mesmo parâmetro de juros e praticamente não há financiamento de longo prazo. Não há compromisso estrutural dos bancos, até porque é mais interessante manter esse nível de exploração. A taxa básica está em 11%, por exemplo, mas para capital de giro é difícil encontrar a menos de 25% ao ano.

Lucros bancários menores poderiam significar lucros maiores para a economia real?
Sim. Um exemplo que é o paroxismo da especulação: as pessoas estão pegando dinheiro no Japão a 1% e aplicando no mercado financeiro daqui. E para piorar elas não pagam imposto de renda, vêm e saem tranquilas. Já o investidor nacional, para a mesma operação, pagaria imposto de renda. Essa política de juro suicida obviamente prejudica todas as demais atividades econômicas e beneficia uma pequena casta financeira. Por isso, temos essa má distribuição de renda e um país com potencial de crescer até 11% ao ano refém de um mercado financeiro que só prima por seus interesses.

Qual a fonte de recursos que remunera o investidor internacional? São recursos públicos?
Dinheiro público, claro, justamente dos impostos. O dinheiro que você arrecada aqui, a própria CPMF, grande parte desse dinheiro está indo para juros. Eu vi um economista dizendo uma coisa, e concordo: o Brasil tem duas bolsas, a bolsa família e a bolsa juros.

Para o futuro, a tendência é de lucros bancários ainda maiores?
Eu vejo lucros progressivos até porque os bancos têm um outro subterfúgio que são as tarifas: elas subiram mais de 1.000% nos últimos dez anos. Me diga alguma coisa no país que tenha subido assim. Salário? (risos). Isso é uma aberração econômica. E é reflexo do que? De autoridades que deveriam pelo menos fazer pressão através de suas próprias instituições. Mas os bancos públicos (BB e CEF), ao invés de serem exemplos, vão a reboque e cobram as mesmas tarifas que se paga nos demais bancos.

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