Se depender do governador Roberto Requião nenhum diálogo com as concessionárias do pedágio acontecerá, no sentido de baratear as tarifas, porque ele não está se dispondo a isso, e nem se crê que elas concederiam algo; e se depender da Justiça, sempre dará a lógica, porque as decisões serão favoráveis às empresas detentoras das concessões, como acontece desde a primeira ação que foi movida, sem nenhum resultado diferente. Só a mobilização popular poderá alcançar resultados positivos em benefício dos usuários. Como ocorre agora com a Frente Ampla pelos Avanços Sociais, deflagrada em Curitiba.
  Esse movimento - que se estenderá a Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu, Cascavel, Ponta Grossa e na continuidade em outras regiões - lança a Carta dos Paranaenses e visa recolher até o fim do mês 140 mil assinaturas, pedindo a realização de um plebiscito estadual que dê amparo a reivindicações e manifestações mais amplas, e eventualmente mais contundentes, contra o pedágio. Nos primeiros protestos em Curitiba as faixas pediam a baixa do pedágio mas também a sua extinção, com dizeres como ‘‘Rodovias podem e devem ser mantidas só com IPVA e Cide’’ (este último imposto incidente na venda dos combustíveis) e ambos destinados a manter o sistema rodoviário.
  Desde os primeiros dias do pedágio dois tipos de reações despontaram: o primeiro, contra o modelo implantado no Paraná por Jaime Lerner, com o aval (por desinformação e omissão, na época) da Assembléia Legislativa, porque o Estado entregou às concessionárias as rodovias já prontas, permitindo-lhes já de início cobrar pedágio (e a preços cheios), antes de qualquer investimento, a não ser os postos de cobrança; e o segundo, contra as elevadas tarifas.
  A Justiça posiciona-se como ‘‘escrava da lei’’ - um jargão dos juristas mais ortodoxos - e se atém aos termos dos contratos. Por isso vem dando ganho de causa às concessionárias, embora os muitos pontos controversos, como o pouco investimento delas em obras. Quando o pedágio foi lançado, destacados jurisconsultos manifestaram-se contra o modelo paranaense, que diferia dos existentes no mundo, por considerá-lo inconstitucional, mas isto nunca foi examinado pelos legisladores e nem pelos luminares do Poder Judiciário.
  Por estes dias, manifestantes da Frente Ampla foram impedidos pela Justiça de postar-se nas praças do pedágio, e essa proibição dividiu opiniões, porque, por um lado, os cidadãos têm o direito de mobilizar-se e de pronunciar-se, amparados por direito constitucional; e por outro, há o preconceito da preservação da ordem pública. Que no caso não foi ameaçada. O plebiscito visa, justamente, obter amparo para manifestações como estas.
  Certo é que só a resistência dos usuários a esse abuso caracterizado pelo pedágio pode produzir resultados. A campanha tem de ser contínua, sem temor, porque um povo espoliado que age em defesa de seus direitos sempre tem razão. Foi o poder público, representado pelo Estado, que criou o pedágio, sem atentar para o que fazia e com enorme prejuízo à economia popular, mas isto não dá validade à tirania que o sistema implantou e que, com o constante aumento das tarifas, está se tornando insustentável. A democracia política e econômica já cambaleia, neste país, e é preciso que o povo se mobilize para que não a sufoquem de vez.

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