Nessa questão de o PMDB indicar um novo nome para o Ministério da Agricultura e Pecuária - moeda de troca para apoio do partido ao Governo - não existe um mínimo de preocupação com a solução das questões rurais que o cargo abarca, mas tão-somente o robustecimento do poder partidário e a ampliação de pontos de domínio na esfera governamental. Nas confabulações do partido, o problema rural não foi em nenhum momento questionado. Importa-lhe o peso político que o cargo representa, e de quem irá ocupá-lo, do que a seletividade que deve haver para que o titular tenha um proveitoso desempenho na função.
As classes rurais não são consultadas, e é certo que estas também não se mobilizam e ficam alheias ao processo de escolha. O paulista Michel Temer, presidente do PMDB e político do meio urbano que deve saber pouco sobre a atividade rural, sobre suas reivindicações e a importância econômica e social que tem, parece importar-se apenas em colocar no trono ministerial um membro do partido, e extraído do meio parlamentar - porque todos os seis candidatos apontados são deputados. Se um ministro deve ser político - no sentido abrangente de interagir com a vida social de uma coletividade - é preciso também possuir conhecimento técnico pertinente à Pasta que irá ocupar.
No caso presente, o negócio rural deveria figurar como ponto fundamental. E não apenas porque se escolhe um ministro para o setor mas porque este um segmento fortíssimo da economia nacional, por múltiplas razões que nem é necessário enumerar - embora o seja para a maioria dos políticos, alheios a quase tudo fora da redoma em que se vivem. Para cada ministério que o PMDB venha a ocupar, no esquema da partilha negociada do Governo Lula, as questões brasileiras relacionadas com cada um deles deveria ser programa de partido. Mas isto não existe. Busque-se saber qual o projeto do PMDB para a agricultura e a pecuária e nada se encontrará. Eventualmente se poderá achar alguma peça escrita destas de conteúdo genérico feitas para rechear discursos.
Um bom ministro da Agricultura e Pecuária - e a ênfase se dá a ele porque é o enfoque do momento - é de grande relevância para o Brasil. Mesmo que esse ministério não seja dos mais fortes politicamente, se um homem competente for colocado no seu comando poderá provocar uma positiva revolução no setor. Não é o ministério que faz um destacado ministro, mas ao contrário, um bom ministro poderá projetar um ministério e, mesmo silenciosamente, ir adotando medidas que beneficiem o setor a que se destina. São muitas as atribuições e vasto o ''poder de alçada'' se um homem público tem vontade e responsabilidade. A decepção flagrante, mais uma vez, é o descaso partidário para com os fundamentos da função de um ministério e para a razão de bem escolher o ministro da Agricultura de que o Brasil rural necessita.

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