Em depoimento emocionado à CPI da Telefonia, que durou mais de duas horas e meia, o cabo da Polícia Militar, Luiz Antônio Jordão – acusado de envolvimento em grampos telefônicos no Palácio Iguaçu –, disse ontem que o secretário especial de chefia de Gabinete, Gerson Guelmann, estava envolvido no esquema de escutas clandestinas no Palácio Iguaçu. Guelmann deve depor na próxima semana na CPI. Segundo o cabo, Gilberto Maria Gonçalves (ex-funcionário do governo que agia em obediência a Guelmann) seria o responsável pelos grampos. Gonçalves está fora do governo desde o início de abril. O cabo já havia declarado em entrevista exclusiva à Folha grande parte do teor do seu depoimento.
O cabo Jordão disse que havia uma sala no quarto andar do Palácio Iguaçu onde era possível fazer escutas telefônicas e que as chaves ficavam sob responsabilidade da Casa Militar. O cabo disse que havia mapas do Tribunal de Contas do Estado (TC) e do Tribunal de Justiça (TJ). Ele disse não ter certeza se eram plantas da rede de telefonia, mas que não eram plantas baixas, como as usadas em construção civil.
As denúncias do cabo Jordão se concentraram mais no nome de Guelmann do que no do coronel Luis Antonio Borges Vieira, chefe da Casa Militar. Ambos negam que o governo tivesse conhecimento do caso. Mas o policial admitiu que o coronel deveria saber do esquema de grampos. O cabo não sabe se o governador Jaime Lerner (PFL) teria conhecimento do esquema. Lembrou apenas que Vieira é subordinado ao governador.
Antes do início da sessão da CPI, o líder do governo, Durval Amaral (PFL), tentou desqualificar a reunião, alegando que o objetivo da comissão não era investigar grampos e sim irregularidades da telefonia móvel e celular. O presidente da CPI, Tony Garcia (PPB), e o relator, Algaci Túlio (PTB), argumentaram que receberam denúncias de grampos e os depoimentos tiveram prosseguimento. Os deputados fizeram ainda uma sessão secreta com o cabo Jordão, depois de seu depoimento. Garcia classificou como ‘‘gravíssimas’’ as declarações do cabo Jordão. ‘‘Isso tem que ser apurado até o fim’’.
O segundo depoimento foi o do instalador da GVT João Batista Cordeiro. Ele foi preso em flagrante pelo Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) no dia 4 de abril, com gravadores em uma caixa de distribuição da Telepar. Cordeiro envolveu o nome do cabo Jordão no esquema ao afirmar que instalou o grampo a mando de Gilberto Gonçalves. Cordeiro afirmou que, no dia em que Gonçalves telefonou para seu celular, pedindo que retirasse as fitas, passou o telefone para uma pessoa que seria Jordão.
Durval Amaral disse que é conveniente que o advogado de defesa do cabo Jordão seja Peter Amaro de Sousa. Foi do escritório do advogado que Afrânio de Sá, outro policial acusado de escuta telefônica, ligou para o cabo Jordão, perguntando se ele conhecia alguém que fizesse serviços de varreduras e escutas telefônicas. Jordão indicou Jefferson Martins Stoner (técnico da Telepar e funcionário da Defense, empresa que faria varreduras para o Palácio Iguaçu). Afrânio de Sá disse que assinou documento na Casa Militar, a mando de dois superiores, sem ler o que estava escrito. O documento o envolveria no caso. Ele disse que é inocente.
A CPI aprovou requerimento solicitando que a Telepar mantenha intactos os registros de ligações, para que possam ser investigados. Outro requerimento solicita cópia do documento assinado por Afrânio de Sá.

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