Pleno emprego: problemas e desafios a serem enfrentados
Para além dos números positivos, é preciso analisar questões como a qualidade do emprego e a taxa de produtividade
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sexta-feira, 26 de setembro de 2025
Para além dos números positivos, é preciso analisar questões como a qualidade do emprego e a taxa de produtividade
Guilherme Silva 
A princípio, a notícia é boa. Afinal, num país que sempre sofreu com as altas taxas de desemprego, chegar a um patamar desses é reflexo de uma conquista da sociedade como um todo. O Brasil atingiu uma taxa de desemprego próxima dos 5,8% no último trimestre, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o menor patamar desde o início da medição da série histórica, em 2012. Os dados aproximam o país do chamado pleno emprego, isto é, quando o número de pessoas que fazem parte da população economicamente ativa desempregadas é considerado muito baixo.
Entretanto, esse recorde histórico, apesar de efetivamente ser uma boa notícia, traz consigo uma série de desafios e de obstáculos que devem ser enfrentados, de modo especial por empresas que não conseguem preencher as vagas abertas. Daí a preocupação por trás da notícia boa. Não que seja ruim, mas isso deve nos levar a trabalhar e a desenvolver os gargalos que aparecem nesta condição de pleno emprego. De fato, estamos vivendo uma realidade inédita no mercado de trabalho brasileiro. Mas ainda há muitos desafios a serem enfrentados, entre eles a falta de mão de obra qualificada e a baixa qualificação da mão de obra disponível.
Para além dos números positivos divulgados recentemente, é preciso analisar questões como a qualidade do emprego e a taxa de produtividade dos trabalhadores para entender e compreender a realidade do chamado pleno emprego. Existem alguns entraves à queda ainda maior da taxa do desemprego no país, que é considerado efetivamente com pleno emprego quando os números estão próximos dos 5% da população economicamente ativa.
Na prática, no entanto, verifica-se no Brasil dificuldades de se encontrar mão de obra qualificada, principalmente em áreas como engenharias e tecnologia. Além disso, serviços mais pesados também sofrem com a ausência de trabalhadores, embora seja possível ganhar até muito mais que o salário mínimo. São setores como a construção civil (servente de pedreiro, pedreiro e marceneiros), além de trabalhos domésticos. Esses são alguns dos gargalos que o país precisa enfrentar a fim de melhorar a qualidade do emprego e a produtividade, além de conseguir atender a demanda do mercado.
Esses gargalos estão levando as empresas a serem criativas e a desenvolverem estratégias para não sofrerem com a falta de mão de obra ou com a mão de obra não qualificada. As empresas têm investido em qualificação de mão de obra e na oferta de benefícios para segurar os talentos. Entre esses aspectos, cursos e formações aos seus empregados, seja em cursos próprios ou pagando para que seus colaboradores estudem, além de vales alimentação, transporte e dia de folga no aniversário, espaços de descompressão no ambiente corporativo, além de outros.
As dificuldades de se encontrar mão de obra qualificada são reflexos do crescimento econômico. Mas, também, existem obstáculos de reter os trabalhadores e talentos, já que as pessoas estão sempre em busca de empregos melhores. É o que a gente chama de desemprego friccional, porque as pessoas se movimentam no mercado de trabalho atrás de um salário melhor ou de horários mais flexíveis.
Mas, é possível vencer esses desafios e obstáculos. Se até agora, apesar dos governos e dos políticos além dos altos impostos, temos conquistado condições melhores de empregabilidade, é porque desenvolvemos uma capacidade de driblar os problemas e criar soluções para nossa realidade. O Brasil pode ser pioneiro na implantação da escala 6X1, que também tem seus benefícios e seus desafios, mas, embora esse tema esteja intimamente conectado à questões do pleno emprego, será tema para outro artigo.
Guilherme Silva, formado em administração e especialista em Recursos Humanos (RH), sócio fundador da Forward.


