Em oito anos, o total de beneficiários dos planos de saúde no País aumentou cerca de 50% - passou de 31,7 milhões de pessoas em 2003 para 47,6 milhões em 2011. Ou seja, atualmente um em cada quatro brasileiros estão ''cobertos'' por algum plano de assistência em saúde, seja individual, familiar ou empresarial. O salto foi gigantesco, puxado pelo aquecimento econômico, emprego e renda em alta e pela precariedade do Sistema Único de Saúde (SUS). Porém, médicos e usuários não andam nada satisfeitos com as operadoras que exploram este nicho de mercado.
No meio da última semana, os profissionais de saúde repetiram um protesto que já tem alguns anos e que serve como alerta contra os planos. A mobilização ganha cada vez mais adeptos Brasil afora e adverte que a paciência dos médicos beira o limite com as empresas com as quais mantêm convênios de prestação de serviços. Reportagem da FOLHA publicada ontem comprova que ''ninguém está satisfeito'', como reforça o Conselho Federal de Medicina.
Nas conversas com profissionais credenciados para atender pacientes beneficiários de planos é bastante comum ouvir um variadíssimo rosário de críticas e lamentações. A mais comum e abrangente entre os médicos é com relação ao baixo valor repassado por consulta: na média, menos de R$ 40, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Mas não é difícil deparar com declarações sobre cancelamentos de cirurgias por falta de liberação de materiais e atrasos nos repasses sem maiores explicação.
Pelo lado do paciente, a lista de reclamações - no Procon do Paraná, o total de queixas registradas cresceu 69% entre 2003 e 2011 - também é extensa, mas o calo que parece mais comum é a demora em marcar consultas em algumas especialidades: no caso de alguns neurologistas, por exemplo, a espera chega a durar meses. A não cobertura de determinados procedimentos também é outro problema que tira o sono de muitos usuários que achavam que pagando um plano estariam livres daquelas situações bem mais comuns para aqueles que dependem exclusivamente do SUS.
No final do ano passado, a ANS publicou novo conjunto de normas detalhando o que pode e o que não pode haver no atendimento dispensado aos clientes cobertos pelos planos de saúde. E o que se pede, nada a mais do que isso, é que seja cumprido o que determina a lei.
Não é uma questão de demonizar este ou aquele ou de ser contra ou a favor as operadoras de planos, dos médicos e/ou dos usuários. O que se exige de todos é respeito aos contratos e a garantia de que o serviço efetivamente contratado e pago será prestado, sem prejuízo para nenhuma das partes.

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