Plano Diretor, participação e comunicação
No último dia 20 de outubro, a Prefeitura de Londrina realizou uma audiência pública na Câmara de Vereadores para discutir os projetos de lei sobre o Uso e Ocupação do Solo e sobre Sistema Viário, propostas estas relativas ao Plano Diretor que está para ser votado até o final de 2014.
Com mais de 500 pessoas, as galerias exibiam faixas e cartazes com cobranças e críticas ao poder público londrinense. Lideranças de bairro, associações de moradores, alunos, docentes e técnicos também estiveram presentes no evento.
No entanto, mesmo que a ideia sugerida pelo evento fosse a discussão das alterações realizadas pela prefeitura envolvendo os substitutivos aos projetos de lei sobre Sistema Viário (PL 229/2013) e o sobre o Uso e Ocupação do Solo (PL 228/2013) a ocasião foi mais marcada como uma saraivada de queixas.
O que é completamente justificável, haja visto que o próprio projeto geral do Plano Diretor, que é um emaranhado de legislações extremamente técnicas e de linguagem truncada: Lei de Preservação Cultural, que diz respeito sobre a preservação dos patrimônios históricos; Código de Posturas do Município, que normatiza e disciplina o funcionamento de estabelecimentos comerciais, industriais, etc; Lei da Expansão Urbana, responsável por regulamentar o Perímetro Urbano e conter os avanços deste na zona rural, Código Ambiental, Código de Obras & Edificações; Lei do Parcelamento para Fins Urbanos, etc.
Sem dúvida que esse "Frankenstein legislativo" espanta e irrita qualquer um. Ao passo que também torna explicável essa tendência da sociedade londrinense começar a ocupar seus espaços exigindo mais transparência e discussão. Não só porque deseja estancar o desenvolvimento predatório e desenfreado que a cidade enfrentou nas últimas décadas, mas também porque quer entender e participar mais ativamente das decisões relacionadas ao seu futuro.
Além de indicativo, esse é um ótimo fenômeno que precisa ser capitaneado pelas nossas instituições. Sendo assim, Câmara, prefeitura, Ministério Público, organizações da sociedade civil e instituições públicas de uma maneira geral têm agora uma oportunidade única para dedicar maiores esforços em busca de uma cidade ativa e com instituições atuantes: até porque, acima de tudo, cabe ao poder público tomar as medidas cabíveis para tornar este espaço de discussão amplo e acessível para todos.
E não adianta falar só em audiências públicas, semanas técnicas ou conferências municipais. Porque além de serem assuntos extremamente complexos, a população não tem tempo de ficar pesquisando na internet para "traduzir" o que certos termos, vocabulários ou conceitos abarcam estas legislações. Falando em internet, até mesmo os sites institucionais, mesmo que arrojados e transparentes, não são também exemplos de navegabilidade.
Somado, tudo isso acaba criando na sociedade uma desconfiança generalizada, achando que tudo não passa de "cortina de fumaça" para mais desmandos e corrupção. Embora quem esteja do lado de lá se sinta injustiçado por percepções estreitas feito estas, infelizmente devem encarar as coisas assim e pronto.
Que sejam os funcionários do Executivo e do Legislativo maduros o suficiente para enxergar tais ideias com mais frieza e não como ofensas pessoais, mas sim como uma realidade que tem de lidar positivamente dado um diagnóstico não muito difícil de fazer sobre "a credibilidade da gestão pública" até há pouco praticada na cidade.
Até porque é muito cômodo, em época de campanha, falar de "gestão democrática", participação do povo, etc.-, mas moralizar e trazer de volta a credibilidade e o respeito à gestão pública municipal cabe, antes de tudo, a quem está do lado de dentro!
Essa é a essência da democracia representativa. Todos, sem exceção, devem ter voz ativa na construção do futuro da cidade.
VAGNER SIMÕES é jornalista em Londrina
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