Por exigência do Estatuto das Cidades, aprovado em 2001, Londrina terá de elaborar o seu Plano Diretor, e já está atrasada, porque o prazo é de cinco anos a partir de então. Mas agora essa providência é anunciada, e ontem à noite realizou-se a primeira audiência pública nesse sentido, no recinto da Câmara Municipal. Um Plano Diretor não visa apenas cuidar de aspectos urbanos, como sistema viário, transporte coletivo, uso do solo, mas, no caso de Londrina que é sede de região metropolitana precisa vislumbrar perspectivas mais abrangentes. Isto tem a ver com o grande eixo que vem de Cornélio Procópio e vai até Maringá, por tratar-se de uma região de economia idêntica e de interesses comuns. Um olhar ainda mais amplo estende os horizontes para mais além, porque existem também cidades do sul de São Paulo que têm Londrina como grande pólo de atendimento, destacando-se itens como as universidades, o aeroporto, os serviços médico-hospitalares e uma gama de outros. Não é fora de propósito pensar num futuro metrô de superfície desde a fronteira com o vizinho estado até Maringá e cidades daquela vizinhança. Os colonizadores ingleses planejaram Londrina para um máximo de 30 mil habitantes, e por isso abriram ruas estreitas o que viriam a corrigir ao desenhar Maringá mas tiveram a visão de implantar um plano ímpar de formatação dos lotes da colonização e projetar núcleos urbanos a cada 100 quilômetros, a partir de Londrina. Tal aconteceu com Maringá, Cianorte e Umuarama, e entre essas cidades outras surgiram, espontaneamente. Ao ser agora elaborado este novo Plano Diretor que conta com a participação da população será preciso contemplar muitos setores, inclusive os de longo alcance e não apenas os circunscritos aos limites territoriais do município. Um Plano Diretor é a mais importante ferramenta para o planejamento de uma cidade e, naturalmente, incursiona também por questões de ordem sócio-política. O fato de Londrina ser ponto central de um vasto cinturão de cidades altera-lhe a característica e também os seus compromissos regionais, porque se a cidade é absorvedora de muitos benefícios daí advindos, assume também obrigações de atendimento, em vários campos. O Plano que se implantar em Londrina deve focar suas atenções também nesse detalhe, porque a cidade já não se pertence e acabou se envolvendo numa espécie de débito com as cidades circunvizinhas, justamente pela mão dupla de muito haver recebido, como centro de atração que foi desde os primórdios da colonização, tendo agora que corresponder a exigências externas, que ficaram implícitas. Elaborar este projeto é um trabalho de fôlego, que tem a ver com o presente e suas necessidades locais e com o futuro e as necessidades também regionais. Será preciso chamar especialistas nesse campo e buscar modelos que deram certo em outras cidades, do País e do exterior, e assim evitar empirismos de curta abrangência e de curta duração. Não é certamente um trabalho para amadores.

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