Plano Diretor e industrialização
Ainda que não tenha ficado claro aos londrinenses como o Plano Diretor, aprovado na segunda-feira pela Câmara dos Vereadores, afetará o dia a dia da população um dos aspectos positivos apontados é a definição de áreas industriais. São locais próximos à zona rural que foram definidos como área urbana em 2012, mas que ainda não tinham zoneamento específico. A especificação é importante porque torna as regras claras para empresários que pretendem investir no local.
Em reportagem de hoje desta FOLHA, Bruno Veronesi, presidente da Companhia de Desenvolvimento, afirma que a cidade perdeu empreendimentos para outros municípios pela falta de zoneamento específico. Nos últimos anos a economia de Londrina enfraqueceu e um dos motivos apontados é a falta de indústrias.
Tanto que pesquisa realizada pelo Fórum Desenvolve Londrina, divulgada há pouco mais de um mês, aponta que 82,2% dos londrinenses consideram a industrialização positiva e 77,4% rejeitam vocação da cidade para comércio e serviços. Uma das causas pode estar no Produto Interno Bruto per capita londrinense. Em 2004 o valor apurado no município era superior em R$ 1,4 mil ao nacional; em 2011, último ano considerado pelo Fórum, a renda anual brasileira era quase R$ 500 maior do que a dos trabalhadores locais.
Outro dado relevante é que, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, Londrina registrou saldo negativo de emprego na indústria de transformação nos últimos três anos. Foram 763 vagas a menos no período. É importante que, passada a crise política, Londrina encontre novamente o desenvolvimento, fato marcante da história da cidade.
Além disso, é de se lamentar a afirmação feita pela vereadora Elza Correia (PMDB) de que o projeto tenha se transformado em uma "colcha de retalhos" porque algumas emendas atendem interesses pessoais. Uma proposta como o Plano Diretor deveria servir ao coletivo. É um fator de extrema relevância e que deveria ser acompanhado mais de perto pelas entidades que fizeram parte das discussões do projeto e pela comunidade que, certamente, será a mais prejudicada.





