PLANO DE SEGURANÇA DA UEL - Alunos mantêm-se contra
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sexta-feira, 06 de julho de 2007
Marco Feltrin<br>Reportagem Local 
Em tempos de protesto pelo aumento da segurança na região central de Londrina, a maior instituição de ensino da cidade também coloca a questão em evidência, por meio do Plano de Segurança da UEL. A polêmica em torno da construção de um muro para cercar a universidade e da presença da polícia no campus continua em alta. Integrantes do Centro Acadêmico do curso de Ciências Sociais, que já promoveram diversas manifestações contrárias ao plano, vieram à FOLHA rebater críticas do reitor Wilmar Marçal e defender alternativas para a segurança. Confira a entrevista com a estudante Nádia Soares, escolhida porta-voz do grupo.
Você se sente segura andando pela UEL?
Eu me sinto. Nunca tive problema, nunca presenciei nada, mesmo ficando praticamente o dia todo na universidade.
Esta imagem de violenta, então, não condiz com a verdade?
É feito um alarde, mas até o presente momento o reitor não apresentou um estudo sobre as ocorrências dentro da universidade. A UEL faz parte da sociedade. Há uma insegurança. Não adianta querer colocar a UEL numa redoma de vidro. Até porque, quando você cerca algo, a tendência é que os crimes fiquem mais violentos.
Por que são contra o Plano de Segurança?
Somos contra porque existem outros problemas da UEL que também devem ser debatidos e solucionados: deficiência da estrutura física, baixos salários dos professores, valor da taxa de inscrições para vestibular e mestrado. Até agora não houve sensibilidade do reitor para dialogar e resolver estas questões. Quanto ao muro, vai ao contrário da missão da UEL, que deve ser pública, gratuita e democrática. A universidade pública deve promover a inclusão social. Cercando a universidade, você culpa a sociedade por essa violência.
A segurança não está em primeiro plano no meio desses problemas?
Faz parte. A questão não é a segurança em si, mas como a segurança está sendo abordada pela reitoria. No terceiro item do plano, fala-se que a UEL é vulnerável por estar próxima a bairros carentes. Ele está associando bairros carentes à violência. O item 14 diz que a entrada das polícias civil, militar, federal poderá ser feita em situações específicas. Quais são estas situações específicas? O plano não é claro.
Quais as suas sugestões?
Defendemos o aumento no número de vigilantes, não por meio de terceirização, mas de concursos. Além disso, as condições de trabalho dos vigilantes devem ser melhoradas.
Os vigilantes não podem andar armados. Eles têm condições de combater crimes?
A gente defende um treinamento específico para os vigias, além da contratação de outros. A função do vigia é inibir, só que ultimamente ele não está presente, porque as condições de trabalho são precárias.
A maioria dos estudantes é contra o plano?
No curso de Ciências Sociais, mais de 90% dos alunos são contra o plano, conseguem compreender criticamente o processo. Há universitários com opinião formada de forma fragmentada, pega os fatos superficiais e expressa a opinião.
Você acha que muitos não estão preocupados, agindo de forma indiferente?
Cobrar uma opinião do estudante sem ter mostrado o problema é complicado. Falta discussão. A maneira como o reitor está querendo colocar a discussão é antidemocrática.
O reitor disse que vocês estão sendo financiados por grupos políticos. Isso é verdade?
Isso é infundado. O reitor não tem como provar. Ele coloca isso de forma pejorativa. Somos partidários, sim, de uma universidade de qualidade.
De onde sai o dinheiro para comprar as faixas, por exemplo?
O dinheiro vem de eventos. O centro acadêmico dispõe de um caixa, que está à disposição para qualquer manifestação ou auxílio aos alunos. É daí que sai o dinheiro para financiar faixas e narizes de palhaço.


