O anúncio da destinação de R$ 58 bilhões para o crédito agrícola empresarial agradou produtores rurais do Paraná, conforme manifestação de alguns dos seus líderes, mas persiste a queixa de que - apesar de uma baixa - o juro é ainda elevado e poderia ser de 4,5% ao invés dos 6,75% estabelecidos. Ao menos houve uma alta quantitativa quanto ao volume, que é 16% maior que o da safra anterior. Já na véspera o presidente Lula havia anunciado R$ 12 bilhões para a agricultura familiar. Benefícios também estão sendo acenados para o item do endividamento agrícola, com a criação de um grupo de trabalho interministerial que auxiliará na equação desse problema.
É também nesse quesito que existe uma preocupação dos empresários rurais, porque o montante das dívidas chega a R$ 100 bilhões, quase o dobro dos recursos que serão disponibilizados pelo plano ora lançado. O vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Homero Pereira, diz que será preciso recorrer também a outras fontes de crédito, onde os juros estão acima do mercado. De qualquer modo, a maior atenção do Governo com o agronegócio, conforme essa mesma fonte, não deixa de ser um avanço. Esta é também a opinião de outras lideranças, embora unânimes no pleito de juro mais baixo.
O presidente da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná, João Paulo Koslovski, espera que a taxa ainda possa ser discutida com o Governo e que o porcentual baixe para o patamar pleiteado. Se a inflação está abaixo de 6,75% (fixados no Plano Agrícola e Pecuário agora anunciado) não há razão para cobrança acima desse nível. Porque o setor de produção, em todas as suas variáveis, não é um negócio especulativo e sim de geração de riqueza e de multiplicidade econômica. Por essa razão, como tantas vezes se tem afirmado, tudo o que se fizer em benefício dessas fontes será sempre pouco.
A agricultura, destacadamente, é uma vigorosa alavanca de desenvolvimento e, nos seus múltiplos segmentos, uma grande empregadora de mão-de-obra; significa abastecimento alimentar, dinamização da economia, geração de renda interna e de exportação e robustecimento da receita tributária, pelo volume de negócios. A presença do ministro Reinhold Stephanes no comando do Ministério da Agricultura e Pecuária deve ter tido influência na elaboração do programa anunciado, mesmo com alguns pontos questionados, e se revisões precisam ser feitas, o ministro é o canal indicado para esse pleito.

mockup