Planilha correta, tarifa justa e bom serviço
A liberdade de discutir é um postulado da democracia, e fazem parte do mesmo processo as divergências entre vereadores e prefeitos. Quando estão em discussão causas de interesse público tais embates são ainda mais necessários, por trazer fórmulas e verdades à tona. É o que ocorre agora em Londrina na busca de um consenso para fixação da tarifa do transporte coletivo urbano. Duas planilhas estão em debate: a da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização e a da Comissão Especial de Investigação criada pela Câmara.
No meio desse fogo cruzado estão os usuários que, em última instância, irão pagar a conta e, obviamente, que quanto mais baixa para eles, melhor. O bom senso recomenda atentar também para a sustentabilidade das duas empresas concessionárias do serviço. Ponto crítico é a denúncia - levantada pela Comissão - de que houve superavaliação de itens que compõem o custo das empresas, e esta é a razão básica do impasse.
A relação de gasto e renda é que possibilita a definição da tarifa, hoje de R$ 2. As duas concessionárias pedem aumento e o prefeito demonstra propensão a concedê-lo. Quem acompanha pendengas idênticas desde que o transporte coletivo foi implantado em Londrina sabe que a elaboração da planilha é um trabalho complexo - que exige conhecimento técnico - porque envolve muitas variantes, como saber-se quanto determinado item incide sobre o custo da empresa. Entre outros, tais itens são combustível, pneus, pessoal, impostos, investimento em aquisição de veículos, tempo de duração deles e a formação de capital para reposição, manutenção e variação do preço de peças e acessórios, custo das instalações físicas, valor capitalizado de veículos depreciados e fora de uso, modernização de sistemas e metodologias gerenciais de uma e outra empresa (em Londrina) que possam alterar o custeio, e assim por diante. A concessão do serviço estriba-se em lei e acordo contratual, portanto, não comporta fórmulas fora das normas estabelecidas, a menos que haja infringência de uma ou outra parte.
No caso da tarifa é sempre prudente - em benefício do usuário - nivelá-la pelo mais baixo possível e também de forma que o troco seja facilitado. Prefeito e vereadores, as empresas e o sindicato dos motoristas e cobradores precisam atentar também para a melhoria da qualidade do serviço porque os ônibus trafegam superlotados nos horários de pico, com passageiros em pé (quando seriam necessários mais carros). O benefício ao passageiro é um ponto que não pode ser tirado de foco.





