Planejar é construir o futuro
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 11 de fevereiro de 2003
Eleonora Bonato Fruet 
Em meados do século passado, o economista inglês John Maynard Keynes escreveu um artigo denominado ''O futuro dos nossos netos''. Nesse artigo, Keynes analisava as consequências do aumento da produtividade a longo prazo. Mais especificamente, procurava pensar nas condições de vida da população da Inglaterra e dos países desenvolvidos ao final do século XX.
Sua visão era relativamente otimista e uma de suas conclusões era a de que o ''futuro dos nossos netos'' nos países avançados era promissor. O aumento de produtividade advindo do progresso técnico iria propiciar uma redução da jornada do trabalho e a melhoria das condições de vida da população daqueles países. Keynes acertou suas conclusões em relação aos países desenvolvidos, cujo padrão de vida é hoje superior a US$ 30 mil de renda per capita com uma distribuição de renda pouco desigual.
Infelizmente, esta não é a realidade dos países em desenvolvimento. O Brasil, medido pela paridade do poder de compra, tem uma renda per capita em torno de US$ 6,5 mil com uma distribuição de renda tão desigual que milhares de brasileiros vivem abaixo da linha da pobreza. Somente no Paraná, mais de dois milhões de paranaenses vivem com uma renda não superior a R$ 80/mês. O analfabetismo atinge 10% de nossa população com mais de 15 anos de idade.
Essa realidade nos obriga a pensar no Paraná daqui a quatro anos, ou daqui a dez anos, ou mesmo daqui a 50 anos. Precisamos ter a ousadia e o bom-senso de pensar no futuro dos nossos filhos e netos, e em qual futuro queremos para eles.
Crescimento e distribuição de renda devem ser nossas prioridades. É preciso ter a ousadia de planejar uma estratégia de desenvolvimento sustentável para nosso Estado, na qual a melhoria das condições de vida da população paranaense seja o objetivo central. O planejamento existe para isto. O futuro será o que fizermos por ele no presente.
Diferentemente do meio do século XX, quando a intervenção do Estado era vista como a salvadora da pátria e a grande indutora do desenvolvimento, hoje sabemos das ''falhas do governo'' e de suas limitações. Mas, sabemos também quão perniciosa é para o desenvolvimento a idéia neoliberal de que o papel do Estado é a simples regulação da atividade econômica. As ''falhas do mercado'' existem e em muitos casos são superiores às ''falhas do governo''.
É preciso estabelecer uma nova relação do Estado com a sociedade paranaense. Uma parceria onde o crescimento sustentável e a distribuição de renda sejam o centro das prioridades. Um verdadeiro pacto social em torno deste objetivo deve ser estabelecido.
É dentro deste novo cenário que a Secretaria do Planejamento irá pautar suas ações. Seu papel será o de assessorar o governador Roberto Requião na coordenação das ações de governo para que haja uma maior eficiência e eficácia do gasto público.
ELEONORA BONATO FRUET é economista e secretária de Estado do Planejamento e Coordenação Geral


