A descontinuidade de políticas, programas e projetos são problemas latentes das administrações públicas brasileiras. A falta de planejamento de longo prazo pode representar desperdício de dinheiro público e ocasionar problemas estruturais nos municípios, como as constantes mudanças no trânsito urbano ou alterações no zoneamento dos bairros, para ficar em poucos exemplos. Além da descontinuidade, outra falha é a não implantação de propostas aprovadas e já discutidas com a população.
Infelizmente, exemplos como esses fazem parte da rotina dos londrinenses. É o caso do Plano Diretor. No mês passado foram realizadas audiências técnicas abertas à população e foram propostas 44 alterações previstas para a cidade, metade delas para o centro. Do total de itens elencados agora, 19 já constavam na lei do sistema viário do plano de 1988, mas quase nada chegou a ser executado – ou foi feito parcialmente – e, portanto, todas continuam na minuta de 2013.
Outro fato que deve ser comentado é a mudança no trânsito da Avenida Duque de Caxias (centro). Em 2010 foi implantada a faixa exclusiva para o transporte coletivo e o estacionamento de veículos foi proibido. No entanto, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina voltou atrás e liberou as paradas de veículos entre às 9 e 16 horas, o que certamente prejudicará a fluidez do tráfego. Além disso, o estacionamento não terá qualquer fiscalização, o que poderá continuar prejudicando comerciantes, uma vez que proprietários, funcionários e moradores da região poderão deixar seus veículos parados na vaga pública o dia todo.
Exemplos como esses desconsideram a premissa máxima da administração pública: que o interesse coletivo deve prevalecer sobre o privado. Melhorias no trânsito são importantes e necessárias em praticamente todos os municípios brasileiros. Ampliação de vias, falta de estacionamento, desapropriações são temas recorrentes e, na maioria dos casos, não é a "gritaria dos prejudicados" ou a inoperância das gestões públicas que deveriam prevalecer.

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