Planejamento, fiscalização e responsabilidade
O emaranhado de fios que há anos compromete a paisagem da cidade começa, enfim, a dar lugar a avenidas e ruas mais organizadas e seguras
PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de julho de 2026
O emaranhado de fios que há anos compromete a paisagem da cidade começa, enfim, a dar lugar a avenidas e ruas mais organizadas e seguras
A retirada de quase 1,5 tonelada de cabos irregulares dos postes da Avenida Higienópolis, em Londrina, faz parte de uma operação de limpeza urbana. Mas não é apenas isso. Trata-se de um exemplo de que problemas que pareciam crônicos podem ser enfrentados quando há planejamento, fiscalização, cooperação entre instituições e compromisso das empresas responsáveis.
O emaranhado de fios que há anos compromete a paisagem da cidade começa, enfim, a dar lugar a avenidas e ruas mais organizadas e seguras. Os cabos soltos, abandonados ou instalados de forma irregular, além de um problema estético, oferecem riscos à população, dificultam serviços de manutenção, prejudicam a arborização urbana, comprometem a mobilidade em caso de acidentes e transmitem a sensação de abandono.
Londrina e outras cidades que buscam consolidar a sua imagem como polo de inovação, tecnologia e qualidade de vida, não podem conviver com postes transformados em verdadeiras teias de fios.
Em Londrina, a retirada de cabos irregulares está sendo feita por nove operadoras de internet e telefonia, com supervisão da Copel e apoio da prefeitura. Na última quarta-feira, o mutirão removeu 550 quilos de fios obsoletos. Mas dias atrás, já haviam sido retirados mais de 900 quilos de cabos de telecomunicações que estavam em desacordo com as normas técnicas e de segurança.
A Copel reforça que a responsabilidade pela manutenção da fiação de telecomunicações é das operadoras, de acordo com normas estabelecidas em resoluções conjuntas da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) e da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) sobre o compartilhamento de postes.
A força-tarefa demonstra que a solução existe quando cada agente assume sua responsabilidade. É importante lembrar que a legislação é clara ao atribuir às empresas de telecomunicações o dever de manter sua infraestrutura em conformidade com as normas técnicas estabelecidas pela Aneel e pela Anatel.
Também merece destaque o modelo adotado pela força-tarefa. A presença de entidades, como o Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina, o Crea-PR e o Conselho Regional dos Técnicos Industriais, confere credibilidade ao processo e reforça que a organização do espaço urbano exige conhecimento técnico e fiscalização permanente.
O cronograma anunciado para julho revela que esta não deve ser uma ação isolada. Ruas importantes da região central e o próprio Calçadão passarão pelo mesmo processo de regularização. A continuidade é fundamental. Não basta remover fios antigos. É preciso impedir que o problema volte a se repetir. Isso exige fiscalização constante, punição para quem descumprir as normas e acompanhamento rigoroso das novas instalações.
Londrina tem diante de si a oportunidade de transformar um problema antigo em um exemplo de gestão urbana eficiente. Se o modelo implantado na Avenida Higienópolis for mantido e ampliado para outros bairros, a cidade poderá reduzir riscos, melhorar sua paisagem urbana e elevar a qualidade dos serviços prestados à população.
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Adriana De Cunto
Chefe de Redação da Folha de Londrina.


