Planejamento e empreendimento hoteleiro
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 03 de março de 1997
Germano Alvarenga Silva 
O parque hoteleiro no Brasil atualmente é composto por mais de meio milhão de unidades habitacionais distribuidos em 18.026 estabelecimentos, dos quais 2.842 na região sul.
Um novo empreendimento hoteleiro sempre parte de um conceito a desenvolver ou de capital para investir. Se existe conceito, cabe desenvolvê-lo e determinar a melhor localização. Se existe a localização cabe determinar qual a melhor fatia de mercado a ser atingida. Se existe o capital, cabe determinar a melhor aplicação.
Como em qualquer tipo de empreendimento deste porte, a existência de alguns pressupostos básicos orienta a possibilidade de êxito funcional e econômico dos custos totais de construção.
Para tanto, é necessário planejar adequadamente todas as áreas internas.
Como equipamento fundamental para o desenvolvimento da atividade turística, o hotel deve ser planejado e respeitado dentro de sua complexidade projetual, não só devido a tipologia diversificada desse empreendimento, mais também pela variedade dos espaços internos específicos que dão a configuração do edifício.
Este planejamento é um estudo que passa por várias etapas e implica, sem dúvida, no envolvimento de um equipe multidisciplinar da qual a participação do arquiteto e do barechal em hotelaria são fundamentais.
Para cada ação dentro do planejamento e desenvolvimento de um hotel, deve haver sem dúvida o envolvimento destes profissionais, experientes e com pleno conhecimento do trabalho a ser realizado, uma vez que os melhores resultados são obtidos quando se consegue avaliar a fatia de mercado mais interessante.
A hotelaria, não é um negócio imobiliário, mas é um negócio com base imobiliária sofrendo assim várias influencias no seu ciclo: instabilidade econômica, acidentes climáticos, inclusive gerenciamento e estrutura física inadequada.
Para superar estes fatores negativos é necessário seguir algumas regras básicas que tornam o empreendimento ou o produto viável.
A primeira delas implica em estudar profundamente o mercado de consumo conhecendo suas características e orientar-se para ele. Neste sentido, o que se faz normalmente é estudar aspectos quantitativos, como por exemplo o fluxo de turistas, sem considerar os aspectos qualitativos, como faixa de renda, idade, hábitos de consumo, entre outros, que são os que definem a eficiência do produto no mercado.
A segunda é dimensionar este mercado e formular estratégias antes de investir, uma vez que, de posse das informações obtidas é possível definir localização, concepção arquitetônica, padrão de serviços, faixa de preço de venda compatível com o consumidor, etc...
É imprescindível que a definição dessas políticas ocorram antes de qualquer decisão sobre o montante do investimento, o que implica em uma responsabilidade maior de sucesso, garantido através de estudos feitos por profissionais competentes que possam demonstrar a viabilidade deste empreendimento.
Nos dias de hoje o crescimento da indústria do turismo, a diversificação de destinos existentes em nosso país, e ainda, com grande parte do produto hoteleiro sucateando e degradando pelo turismo de massa, faz-se necessária uma preocupação especial com a qualidade arquitetônica deste produto, não esquecendo que o consumidor procura o melhor produto pelo menor preço. E para este consumidor em especial, o padrão estético interno e externo aliado a estrutura arquitetônica em si, somados aos padrões de serviço é que promovem o bem-estar e o conforto do hóspede, representando mais de 70% do sucesso deste tipo de empreendimento.


