Em Londrina, uma menina foi atacada pelo cachorro da raça pit bull da família, na semana passada. No Recife (PE), a vítima foi uma criança de 11 anos. Em Uberaba (MG), um garotinho de apenas 2 anos foi mordido no rosto por um animal da raça. Mais uma vez, esses animais voltam ao banco dos réus.

Por conta desses casos, surge a interrogação: matar é a saída?
Para o veterinário Tiago Ladeiro de Almeida, professor do setor de Cirurgia Veterinária da Unopar, a resposta é não. Em se tratando do pit bull, tudo é uma questão de posse responsável, defende.

O pit bull é uma arma?
Não. Esses cães não são arma. Em São Paulo, por exemplo, alguns animais não podem sair na rua sem a focinheira. Isso não se deve ao fato de eles serem uma arma, mas sim por causa do porte, da força da mordida. O objetivo da lei paulista é evitar acidentes.

O senhor acredita que a raça precisa ser eliminada?
De forma alguma. Já vivenciamos o mesmo problema com outras raças. Hoje, talvez por uma questão de modismo, todos falem em eliminação. Animais de má índole nascem em todas as raças, de um poodle a um labrador, por exemplo. Eu mesmo já atendi diversos animais da raça pit bull extremamente dóceis. Depende da criação. Tudo é uma questão de posse responsável.

Qualquer pessoa pode ter um pit bull?
Sim. Basta essa pessoa ter em mente que se trata de um animal que tem que ser criado de forma adequada. Não pode ter acesso à rua, a não ser com a coleira e demais precauções.

Afinal, existe um argumento para essa raça ser tida como perigosa?
Essa impressão não vem da índole e sim do porte. Muitas das raças surgem com o cruzamento genético. Com o pit bull, não é diferente. Pela seleção genética, esses animais nascem de grande porte, sendo considerados mais perigosos.

O problema não seria então os ''pit boys''?
Acredito que os ''pit boys'' sejam um problema nacional. Alguns, inclusive, dão anabolizantes a seus cães. Esse medicamentos são comprados no mercado negro, na maioria das vezes sem o respaldo de um veterinário. O proprietário ouve falar, muitas vezes em academias, e acaba por si só injetando esse medicamento nos animais. A prática acarreta distúrbios comportamentais e fisiológicos, além de problemas de saúde nesse animal. Outra prática muito difundida entre os ''pit boys'' é a consectomia (corte de orelha dos animais). Isso é proibido por lei, pois se trata de mutilação. Caiu em desuso e muitos veterinários não fazem mais porque são cirurgias desnecessárias.

O senhor teria um pit bull?
Já tive um, extremamente dócil. Tenho vários pacientes da raça, que é como outra qualquer, desde que criada de forma consciente. É uma raça contra a qual eu particularmente não tenho nada contra.

Qual a recomendação para os proprietários de pit bull?
É importante procurar um profissional capacitado em adestramento desses animais. Isso seria o fundamental. Se não for possível, vale lembrar que esses cães são animais de companhia e não simplesmente um instrumento de guarda para casa.

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