Pirataria não é um crime 'pequeno'
Os brasileiros compram produtos piratas sem constrangimento e não têm problemas em admitir a convivência pacífica com essa prática criminosa. Foi o que mostrou a pesquisa ''O consumo de produtos piratas no Brasil'', divulgada esta semana pela Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ). Segundo o estudo, cresceu o número de pessoas que compra produtos falsificados. Mais da metade (52%) dos entrevistados em 70 municípios do Brasil admitiram que compraram em 2010 algum produto pirata. Transformando esse percentual em números absolutos, 74,3 milhões de brasileiros consumiram algum desses produtos ilegais. No primeiro ano da pesquisa, em 2006, 42% dos entrevistados admitiam a compra ilegal.
CDs e DVDs continuam os mais vendidos no mercado da pirataria que atinge todas as classes sociais. As parcelas mais ricas da população também compram produtos falsificados, conforme apontou a pesquisa. Porém, nos últimos cinco anos houve uma queda de 86% para 79% na venda de CD ilegal. Isso não quer dizer que o consumidor ficou mais consciente. A justificativa para a redução é a expansão do mercado de MP3 no Brasil e a prática de se baixar músicas pelo computador.
Por outro lado, houve uma disparada no consumo de DVD. Segundo os pesquisadores da Fecomércio-RJ/Ipsos, em 2006 o percentual de brasileiros que afirmou ter comprado DVD pirata era de 35%, passando para 77% em 2010. Além de CD e DVD, aparecem no ranking do mercado pirata do Brasil brinquedos, roupas, óculos e relógios.
O preço mais barato é a principal justificativa da compra dos falsificados. O consumidor leva em conta o custo e não considera que os produtos piratas são mais baratos porque seus fabricantes, distribuidores e comerciantes não respeitam direitos autorais, não pagam impostos e ignoram encargos e leis trabalhistas.
O brasileiro critica a corrupção e os desmandos políticos, mas convive amigavelmente com a pirataria, prática que tem relação com o tráfico de armas e drogas. Por que o cidadão comum tolera a falsificação, ao mesmo tempo em que cobra ética e honestidade por parte da classe política? Provavelmente, o brasileiro considera a compra de um DVD pirata como um crime ''menor'', mas ele esquece que esse consumidor é a ponta do iceberg de uma rede criminosa internacional.





