A redução do consumo de produtos falsificados, popularmente chamados de "piratas", pelos brasileiros pode ser considerado um avanço. Pesquisa da Fecomércio-RJ aponta que no ano passado 38% da população comprou algum bem deste tipo (CDs, DVDs, roupas, óculos, tênis, relógios, softwares, perfumes, cigarros, entre outros itens), contra 52% atingido em 2011. A justificativa dos consumidores recai sobre o preço, bem mais baixo do que o de produtos originais.
É fato que a carga tributária tem peso significativo na composição do preço final dos produtos, podendo ultrapassar os 100% em alguns casos. Também não é novidade afirmar que a incidência de impostos e tributos sobre produtos e serviços é das mais altas do mundo. Supera a dos Estados Unidos e a do Japão, por exemplo, com a diferença de que todo esse dinheiro arrecadado não retorna em serviços à população, ao contrário de outros países.
No entanto, o consumo de "produtos piratas" não se restringe apenas ao preço. Está ligado diretamente a modismos e ao consumismo atual. O grande apelo das grifes acaba por disseminar o desejo de aquisição entre o público que não tem poder aquisitivo, o que indiretamente contribui para aumentar as vendas de falsificações ou de "réplicas". No entanto, há outro fator a ser considerado: a saúde. O uso de tênis, óculos, perfumes e cigarros pirateados pode provocar sérios danos às pessoas e, por isso, deve ser repensado – e evitado.
Além disso, há que ser considerado o aspecto antiético da pirataria, que causa grande impacto na economia formal, seja na indústria e no comércio estabelecido ou na arrecadação de impostos. Outro ponto é a ligação com o crime organizado, o que provoca grande dano a toda a sociedade.
Portanto, a pirataria deve ser combatida incansavelmente. A redução de impostos certamente tornará os "produtos originais" com preços mais atrativos, mas também é importante esclarecer a população sobre os prejuízos e os males causados pela prática.

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