Um camelódromo aqui, outro ali. Uma locadora de filmes a menos aqui, outra lá. Esta é a matemática da pirataria em Londrina, onde o mercado informal ganha cada vez mais espaço, prejudicando inclusive as contas públicas. Dados da secretaria estadual da Fazenda mostram que o Paraná deixou de arrecadar R$ 98 milhões no primeiro semestre com a venda de produtos ilegais. Em entrevista à FOLHA, a representante da Associação Paranaense de Combate à Pirataria (APCP), Vânia Regina Fernandes, afirmou que o primeiro passo para acabar com a ilegalidade é formar a consciência do consumidor.

Como a senhora analisa a situação da pirataria em Londrina?
O maior índice de pirataria do estado está concentrado em Londrina, e o maior número de locadoras que fecharam as portas também. Há cerca de quatro anos, Londrina era a segunda melhor cidade do estado no segmento de filmes. Nós tínhamos mais de 170 pontos de locadoras e hoje não chega a 50. É uma redução muito significativa.

Qual a explicação para esta queda?
Nas cidades onde a administração pública não se envolve no combate efetivo do crime de pirataria, há um número muito maior de camelódromos. Sem este combate, a pirataria toma conta das ruas, inibe o crescimento das empresas formais.

Qual é o melhor caminho para acabar com esta prática?
Um plano de educação. A repressão também é necessária, mas nós precisamos educar a longo prazo. Demonstrar para o consumidor que ele não pode levar vantagem acima de qualquer coisa, tirar o que pertence ao outro. Pirataria é roubo. Quem compra produto pirata está na verdade roubando uma obra. A Associação Paranaense de Combate à Pirataria tem um projeto junto à Secretaria Estadual de Educação que vai contemplar todas as escolas públicas, trabalhando na conscientização.

Pirataria deixou de ser um problema de fronteira?
Passou a ser caseiro. Hoje com duas máquinas em casa é possível produzir, em pouquíssimo tempo, um grande número de DVDs para colocar no mercado informal. Não é necessário vir da fronteira, vir da China. O negócio é produzido em Londrina para abastecer toda a região. Por isto é importante que a polícia não esteja apenas na rua apreendendo mercadorias ilegais, mas também usando o serviço de inteligência para chegar a estas quadrilhas. Tem que atingir o topo da cadeia.

Com relação aos CDs e DVDs, baixar o preço não é a melhor solução no combate à ilegalidade?
O preço já é baixo. Hoje você encontra DVD a R$ 5 e aluguel até por R$ 0,50.
Mas os lançamentos geralmente são bem mais caros que isso..
O lançamento é possível encontrar na locadora, que paga cerca de R$ 100 por DVD para alugar, não para vender. Ela aluga quantas vezes for necessário para manter o negócio. Mas é importante deixar bem claro que quando uma pessoa adquire um produto legal não está comprando apenas o direito autoral, mas também investindo na produção do artista.

E como fica o papel da internet nesta história?
A internet vem agregar como mais uma forma de distribuição. Não é um concorrente, é mais uma forma de divulgar produções. Ainda não existe uma legitimidade dos direitos autorais na esfera digital. Está acontecendo gradativamente. A Warner, por exemplo, instituiu um canal de distribuição de filmes na internet. Não vai acabar com o cinema, que não representa nem 5% da renda de um filme. Quem causa prejuízo é a pirataria, não a internet.

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