Há muito se fala em desníveis regionais e nas formas possíveis de superá-los. O Brasil já teve um desempenho bem pior nessa questão especialmente quando o nordeste não se modernizara. Instituições específicas foram criadas para o enfrentamento da distorção: a Sudene, no nordeste; a Sudam na Amazônia e até no Sul Maravilha, também pontilhado de desajustes, tivemos a Sudesul.
  Com a perda da mística do planejamento houve uma frouxidão geral em torno do assunto e os processos de monitoramento do desenvolvimento microrregional se tornaram frágeis. Não há mais lugar para aquele discurso do segundo governo de Ney Braga que se comprometia à ‘‘difusão espacial do bem-estar’’.
  Em recente reportagem de Andréa Bertoldi, centrada em estudos do IBGE sobre o Produto Interno Bruto dos municípios, se percebeu com clareza que a Capital, beneficiária de um processo de industrialização induzido e de forte estrutura de serviços (transportes, construção civil, comércio), detém 24,2% do total da riqueza gerada no Estado e que dois municípios da Região Metropolitana (Araucária com 6,1% e São José dos Pinhais com 5,8%) reproduzem o cenário de concentração de outras áreas brasileiras. Seguem Londrina (4,5), Paranaguá (4), Maringá (3,4), Foz (3,3), Ponta Grossa (2,8) e Cascavel (2,5).
  Houve época em que tais registros preocupavam estrategistas como o fato de o eixo industrial Curitiba-Ponta Grossa tender a um adensamento francamente estimulado e negando o anseio de uma dispersão que contemplasse outras áreas do território. Isso se tornou patente com decisões que levaram Araucária quase à condição de terceiro pólo petroquímico do país (perdemos a batalha com gaúchos, apesar da nossa proposta ser melhor) às mais recentes com a chegada das montadoras quando se esperava que a tão falada malha produtiva se estendesse ao norte com unidades produtoras de pneus como a equipe de Lerner chegou a projetar. há esperança de que o governo Beto Richa, via Planejamento, restabeleça a luta permanente para reduzir desníveis sociais e regionais.

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