PIB e crescimento
O baixo resultado do Produto Interno Bruto (PIB), divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, dá sinais claros que a economia está em desaceleração. O índice apurado no primeiro trimestre foi de 0,2% e aponta para perda de fôlego na indústria (-0,8%) e nos investimentos (-2,1%) e um ritmo mais moderado no consumo das famílias (-0,1%) na comparação com o mesmo período do ano passado. Na contramão está a economia paranaense, que cresceu 2,8% nos primeiros três meses do ano, segundo estimativa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social.
Os índices mostram o impacto da inflação e do aumento dos juros básicos na economia. Desde o ano passado, o governo optou por aumentar gradualmente a taxa Selic para esfriar a demanda e, assim, a inflação. Só conseguiu frear o consumo, já que os preços insistem em não recuar. As famílias estão com mais dificuldade em honrar seus compromissos e comprar itens básicos. Além do endividamento, estimulado nos anos anteriores pelo crédito em excesso, no ano passado houve menos espaço para aumento real de salários. Nos últimos anos, o consumo interno sustentou o crescimento fórmula que se mostra esgotada.
Outro grave problema é a falta de competitividade da indústria nacional, que não tem conseguido fazer investimentos. A apreciação do dólar, a alta carga tributária, a burocracia, a falta de infraestrutura e de mão de obra qualificada contribuem para manter o parque industrial desatualizado, que não consegue concorrer com produtos importados. Se o modelo de crescimento foi baseado no estímulo ao consumo, é passado o momento de modificar essa política. Investir em infraestrutura e reduzir os gastos públicos são algumas das medidas que devem ser adotadas, urgentemente. O Brasil precisa de medidas estruturais com foco no crescimento.





