A divulgação do PIB dos municípios neste mês pelo IBGE mostrou o tamanho do desafio que Londrina pela frente. O indicador é um dos últimos dados econômicos divulgados pelo instituto anualmente, teve como base 2014 e confirmou a retração econômica da cidade.

Naquele ano o crescimento da economia brasileira foi de 0,1%, a inflação estava numa vertente de crescimento, 6,1%, sendo que no ano seguinte, 2015, o Brasil atingiu a maior inflação em 12 anos, 10,67%.

Em Londrina, era o segundo ano da gestão Kireeff e a cidade ainda apresentou um saldo positivo de 906 pessoas empregadas, diferente de 2015, quando o emprego ficou negativo em 2.873 postos, dando uma ideia do que vem pela frente em termos de PIB municipal.

Coletando dados de outras 15 cidades, entre elas Joinville (SC), Maringá, Florianópolis (SC), Cuiabá (MT), Sorocaba (SP), São José Rio Preto (SP), Caxias do Sul (RS) e outras com população entre 400 mil a 670 mil pessoas das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do País, é possível perceber como Londrina, já em 2014, sofria com a crise nacional. Chama a atenção que, destas cidades, a única que teve diminuição do PIB foi Londrina. De R$ 15,9 bilhões em 2013 para R$ 15,8 bilhões em 2014, o que fez com que Florianópolis nos ultrapassasse neste indicador. Importante notar, entretanto, que Florianópolis possui um polo tecnológico que responde por quase metade da sua geração de riqueza e um produto per capita muito superior ao londrinense, na casa dos R$ 37,5 mil, enquanto que o nosso é de R$ 29,1 mil.

Interessante notar também deste grupo que algumas cidades tiveram ampla expansão. Joinville é um exemplo, vendo seu Produto Interno Bruto crescer R$ 2,5 bilhões de um ano para o outro. Cuiabá, que é uma cidade do interior do País, assim como Londrina, apresentou o segundo maior crescimento entre as 15 cidades analisadas, evoluindo de um PIB de R$ 17,4 bi para R$ 20,5 bi.

Maringá é outra cidade objeto de constante comparação conosco e também patinou em termos de PIB. Mesmo assim cresceu, passando de R$ 13,7 bi para R$ 14,2 bi. Notando também que o PIB per capita deles, R$ 36,3 mil, é maior que o de Londrina.

Embora a comparação entre cidades seja algo extremamente complicado em virtude de vasta gama de fatores que influencia o crescimento delas, não deixa de chamar a atenção que apenas Londrina andou para trás. Tudo leva a crer que os próximos dados tendem a ser piores em virtude do aprofundamento da crise nacional e da crise fiscal do Estado.

A despeito de tudo que foi exposto, é pertinente destacar que já respiramos ares de 2017 e que a nova administração municipal, junto com seu corpo técnico, tem desafio ímpar no sentido de amenizar os fortes impactos da economia nacional e estadual na economia local, necessitando traçar um plano de ação junto com os empresários e a sociedade como um todo para que os indicadores econômicos de Londrina avancem e resultem em melhor qualidade de vida para as pessoas, que é o que mais almejamos.

RENATO RUGENE DE CARVALHO é economista na Prefeitura de Londrina e especialista em análise econômica e economia empresarial

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