PF prende em Foz suspeito de financiar terrorismo
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sábado, 22 de junho de 2002
Alexandre Palmar<BR>Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu - A Polícia Federal prendeu ontem o libanês Assad Ahmad Barakat, 34, em Foz do Iguaçu, acusado pelo governo paraguaio de enviar dinheiro ao Oriente Médio para financiar organismos terroristas. O comerciante nega acusação, dizendo que os recursos são destinados aos parentes e para compras de mercadorias.
Barakat foi preso no apartamento onde mora com a mulher e três filhos, no centro da cidade. Ele não reagiu à prisão.
A detenção atendeu ordem do ministro Maurício Corrêa, do Supremo Tribunal Federal (STF), que recebeu pedido de extradição do Paraguai (o libanês é naturalizado paraguaio). Ele seria transferido a Brasília à tarde num avião da PF.
A acusação é baseada numa diligência feita numa loja de Barakat na Galeria Pajé, em Ciudad del Este, fronteira com Foz. A ação aconteceu em 3 de outubro do ano passado, menos de um mês após ao atentado aos EUA. A polícia encontrou fitas de vídeo sobre supostos treinamentos de terroristas, além de documentos que comprovariam as remessas ilegais.
À época, três funcionários dele foram presos, o que levou o libanês a não retornar ao país vizinho, onde existe ordem de prisão contra ele. Desde setembro, foram presos 23 suspeitos de ligação com terrorismo, mas somente dois continuam presos. Esta semana, um funcionário do comerciante foi solto.
Ontem, Barakat voltou a declarar inocência. Junto com dois advogados, disse morar no Brasil há 17 anos e que mandou dinheiro para fazer compras. Estou tranquilo, não tenho problema algum, afirmou.
O delegado-chefe da Polícia Federal, em Foz, Joaquim Claudio Figueiredo Mesquita, disse não existir indícios contra Barakat no Brasil. Agora, o libanês será ouvido em Brasília. Seu pedido de extradição pode ou não ser acatado. O processo tem prazo indefinido.
O caso do egípcio Mohamed Ali Aboul-Ezz Al-Mahdi Ibrahim Soliman, 34, preso em Foz em 15 de abril, continua em análise. O STF vai solicitar provas ao Governo do Egito, que acusa Al-Mahdi de envolvimento com terrorismo.


