CAMPO GRANDE - A Polícia Federal do Mato Grosso do Sul indiciou ontem três acusados de comprar votos em favor do prefeito eleito de Campo Grande, André Puccinelli (PMDB). Os acusados foram presos com cerca de R$ 2.000,00, em notas de R$ 10,00, segundo a PF, dinheiro que seria distribuído entre os eleitores. Esse foi o sexto inquérito instaurado para apurar denúncias de fraudes nas eleições, todas contra Puccinelli, que venceu a eleição por apenas 411 votos de vantagem sobre o petista José Orcírio Miranda dos Santos, o ‘‘Zeca do PT’’.
Os acusados, Ivan de Araújo, Cláudio dos Santos Martins e Jorge Alberto Ujacov foram presos em flagrante à meia-noite de ontem próximos à Escola Municipal Frederico Lisberman, onde testemunhas disseram que eles estariam pagando estudantes supostamente subornados antes da eleição. A PF informou que estudantes estavam recebendo R$ 20,00, ou 50% do preço supostamente pago por voto.
Esses estudantes, interrogados pela PF e cujas identidades não foram reveladas, teriam confirmado, segundo a PF, que o dinheiro fazia parte do pagamento da segunda parcela prometida pelo PMDB pelo voto. Segundo a PF, Araújo, Martins e Ujacov foram indiciados no artigo 299 do Código Eleitoral, sob acusação de ‘‘oferecer vantagem para obter voto do eleitor’’.
A PF promete divulgar hoje o teor dos depoimentos dos acusados. A assessoria de imprensa da PF informou que os agentes e delegados não falariam ontem porque estavam em diligências complementares geradas pelas prisões.
‘‘Se a PF for a fundo neste caso vai chegar ao maior exemplo de utilização da máquina na campanha. Eles usaram escolas e associações de moradores para montar o esquema de compra de votos’’, afirmou Zeca do PT. O primeiro passo para o julgamento do pedido de anulação da eleição feito pelo PT foi dado ontem com a designação do juiz eleitoral Sideni Pimentel para conduzir a investigação judicial.
Os seis inquéritos abertos na PF farão parte do processo. O juiz Pimentel pode ou não colher um novo depoimento dos indiciados e das testemunhas. Entre a véspera das eleições e ontem, a PF já havia apreendido títulos de eleitores que estariam retidos com cabos eleitorais de Puccinelli e computadores da Prefeitura de Campo Grande, administrada pelo PMDB. Há suspeitas de que teriam sido usados para cadastrar eleitores e servidores municipais que fariam parte da fraude.
Os títulos apreendidos, na opinião do PT, constituem uma das principais provas da corrupção nas eleições. O PT sustenta que o PMDB usou os títulos para votar sem a presença dos eleitores.
Os advogados do PMDB estão acompanhando os depoimentos dos acusados de fraude. O prefeito eleito mantém sua posição de que a ‘‘eleição foi limpa’’ e que tudo não passa de ‘‘choradeira’’ de candidato derrotado. Puccinelli diz que quer governar com o PT.

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